Walsh/Ross cala torcida e põe fim ao sonho da medalha para Larissa/Talita

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Walsh e Ross derrotam Larissa e Talita e conquistam o bronze na Olimpíada do Rio (Foto: Tony Gentile/Reuters)

Americanas se reinventam e vencem brasileiras, de virada, por 2 a 1. Após três ouros seguidos (Atenas 2004, Pequim 2008 e Londres 2012), Walsh se despede com bronze

Quando a melhor dupla de todos os tempos terminou na Olimpíada de Londres 2012, com a aposentadoria de Misty May-Treanor, Kerri Walsh não queria dar adeus antes de lutar pelo quarto ouro e se tornar a maior vencedora da história. Encontrou a sua parceira justamente do outro lado da rede. Medalhista de prata na capital britânica, April Ross se juntou à sua carrasca para subir um degrau em 2016. Tricampeã olímpica, Walsh nunca havia perdido um jogo sequer nos Jogos Olímpicos e vinha de uma sequência de 21 vitórias até o Brasil. No caminho, por pouco não ficou de fora, devido a uma lesão no ombro direito, em julho do ano passado, mas não desistiu. Se submeteu a uma cirurgia delicada, passou pela corrida olímpica nos Estados Unidos e veio como lenda para as areias de Copacabana. Não deu para se despedir do Rio com a medalha de ouro, porém, o bronze foi muito festejado. Afinal, a vitória desta quarta-feira foi sobre a dupla brasileira que entrou como favorita, formada por Larissa e Talita.

– Saio daqui com sensações: feliz e triste. Feliz por ser um momento mágico, foi uma Olimpíada em casa, passei por experiências únicas. E triste por não ter alcançado o objetivo que gostaria. Mas acho que isso não apaga uma história, isso não apaga o que construímos até aqui, isso não apaga uma história dentro da Olimpíada. Acho que estavam os quatro melhores times ali. Hoje num momento chave a gente perdeu o jogo. Estava ganhando no segundo set. Cometemos muitos erros e o jogo virou – lamentou Talita.

Ágatha e Bárbara Seixas brigam pelo ouro diante das alemãs Laura Ludwig e Kira Walkenhorst, logo mais, às 23h59 (de Brasília). Nesta quinta-feira, no mesmo horário, Alison e Bruno Schmidt medem forças com os italianos Nicolai e Lupo na grande final.

As americanas entraram em quadra abaladas pela derrota amarga nas semifinais para Ágatha e Bárbara Seixas, atuais campeãs mundiais, e perderam o primeiro set. No entanto,m se reinventaram e cresceram para vencer a segunda parcial e o tie-break. Na Arena de Vôlei de Praia, Walsh e April Ross calaram a torcida verde e amarela e selaram a vitória por 2 sets a 1, com parciais de 17/21, 21/17 e 15/9. Emocionada, a tricampeã olímpica não segurou ads lágrimas depois de uma grande recuperação em Copacabana.

– É jogo, né? Acontece. Você tem que estar muito focada o tempo inteiro, a tomada de decisões tem de ser correta porque senão o jogo muda muito rápido. Às vezes, a gente ganha, às vezes, a gente perde. Quantos jogos a gente não ganhou dessa maneira? Quantos outros já não perdeu? Aqui são os melhores times do mundo e qualquer um podia ganhar ou perder – disse Larissa.

Walsh e Ross vôlei de praia (Foto: Adrees Latif/REUTERS)Walsh e Ross se reinventam após queda nas semifinais e vencem brasileiras de virada (Foto: Adrees Latif/REUTERS)

Quatro anos após o bronze em Londres 2012, Larissa queria outra medalha para a coleção, de preferência de ouro, desta vez, ao lado de Talita. As brasileiras acabaram caindo nas semifinais diante das alemãs Laura Ludwig e Kira Walkenhorst e por pouco não beliscaram um lugar no pódio. Depois de nove anos com Juliana, a história da heptacampeã mundial ganhou novos rumos em 2014, quando optou por desistir da aposentadoria para formar uma dos melhores times da atualidade. Em busca do ouro olímpico nos Jogos Olímpicos, Talita e Larissa uniram forças no fim daquele ano, e a sintonia entre as jogadoras ficou nítida logo nos primeiros torneios.

Longe das quadras desde dezembro de 2012 para realizar o sonho de ser mãe, Larissa havia jogado a sua partida oficial havia sido no dia 9 de dezembro de 2012, no Open do Rio de Janeiro, quando levou o bronze ao lado de Juliana. A capixaba se afastou pelo desejo de ter um filho, mas nunca escondeu o sonho de voltar na Olimpíada. Após casar-se com Lili, ela realizou um tratamento de fertilização, mas não conseguiu levar uma gravidez até o fim. A proximidade com a Rio 2016 levou Larissa a adiar a maternidade. Com Talita, com quem proximidade com os Jogos, a heptacampeã mundial optou por adiar o sonho pessoal.

Em Atlanta 1996, quando o vôlei de praia entrou no programa olímpico, o Brasil conseguiu um feito imenso: Jackie Silva e Sandra Pires bateram Mônica Rodrigues e Adriana Samuel. O ouro e a prata foram as primeiras medalhas femininas na Olimpíada na história do país, contando todas as modalidades. Desde então, nesse naipe, as brasileiras bateram na trave. Em Sydney 2000, Adriana Behar e Shelda Bedê perderam na decisão para Nathalie Cook e Kerri Pottharst, da Austrália. De Atenas 2004 a Londres 2012, começou a era Kerri Walsh e Misty May. Foram três ouros olímpicos para os Estados Unidos.

O JOGO

Larissa e Talita lamentam derrota para Walsh e Ross no vôlei de praia (Foto: Tony Gentile/Reuters)Larissa e Talita lamentam derrota para Walsh e Ross no vôlei de praia (Foto: Tony Gentile/Reuters)

As brasileiras entraram determinadas para apagar o amargo revés na semifinal. Com paciência na virada de bola, apostaram no saque forte para abrir 3 a 1. As americanas, no entanto, não as deixaram deslanchar. As defesas de April, aliadas aos ataques e bloqueios de Walsh fizeram as estrangeiras virar o placar em 6 a 5. O equilíbrio dava a tônica para a disputa, com as equipes alternando a liderança. Com Talita afiada no ataque e Larissa muito bem na cobertura, elas arrancaram três pontos de vantagem: 15 a 12. As americanas pareciam nervosas e cometiam erros incomuns. O saque da heptacampeã mundial foi outra arma. No ace da capixaba, o Brasil abriu 17 a 12.

A derrota para Ágatha e Bárbara na noite deixou a moral de Walsh abalada, mas, ela ainda esboçou uma reação. Do outro lado, porém, Larissa mostrou quer não ia deixar barato para a rival. Com o setpoint na mão, ela atacou no fundo da quadra para fazer 21 a 17.

As brasileiras continuaram a apostar no saque, e as americanas tinham dificuldades na devolução. Outro ace de Talita colocou o time na frente: 8 a 6. O time dos Estados Unidos não esmoreceu e seguiu tentando impor dificuldades às rivais, que conseguiram se manter na liderança até a metade da parcial. Quando a virada de bola das americanas encaixou, elas assumiram a frente do placar e entraram finalmente no jogo: 19 a 15. O público demorou a encher as arquibancadas, mas, no fim da parcial, todos já haviam ocupado a maioria dos assentos. Mas nem as vaias, gritos de torcida e os aces de Larissa e Talita foram capazes de parar as americanas. Walsh soltou o braço e fez 21 a 17 para levar a disputa para o tie-break.

No set decisivo, as americanas foram superiores, vencendo a maioria das brigas na rede. Quando Talita não matava o ponto no ataque, Ross não perdoava do outro lado, seja na defesa ou nas cortadas e largadas com grande competência. As americanas quase não erravam as jogadas, ao contrário das brasileiras. No bloqueio de Walsh, a dupla chegou ao matchpoint. No fim, selaram a vitória por 15 a 9 e a conquista da quarta medalha da carreira de Walsh, após três ouros consecutivos em Atenas 2004, Pequim 2008 e Londres 2012.

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