Uma em cada 10 crianças relata aumento da violência durante uma pandemia, aponta relatório da Visão Mundial

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A pandemia tem refletido no aumento da violência contra crianças e adolescentes, segundo relatório divulgado pela organização humanitária World Vision, conhecida no Brasil como Visão Mundial. A organização ouviu crianças de 50 países, que pedem por proteção e que seus direitos sejam priorizados no contexto das respostas à emergência de COVID-19 em todo o mundo.

A pesquisa Act Now mostra que a violência aumentou no último ano, já que 81% das crianças entrevistadas dizem que viram ou enfrentaram violência em suas casas, comunidades ou online, desde o início da pandemia. A agência humanitária teme que, se as crianças não forem ouvidas ou protegidas, possam viver em risco. Os números sugerem que a violência contra as crianças pode aumentar entre 20% e 32% no futuro.

A organização alerta que até 85 milhões de crianças no mundo podem estar sob risco de violência física, sexual e/ou emocional, como resultado das restrições de mobilidade e confinamento necessárias para controlar infecções por COVID-19 – o que marca um retrocesso nos esforços contra a exploração e a violência contra as crianças.

Dana Buzducea, Diretora Global de Incidência de World Vision, afirma que “este ano foi particularmente difícil para as crianças mais vulneráveis. O novo coronavírus aumentou a pressão e as ameaças às crianças em todo o planeta, especialmente àquelas em contextos frágeis. Fica claro que temos outra epidemia em nossas mãos: a da crescente violência contra as crianças”.

O estudo também revela que a pandemia impediu cerca de 80% das crianças de terem acesso a educação. Os adolescentes entrevistados pedem que os governos priorizem a educação como parte da resposta global à pandemia.

“Em todas as crises, as crianças, especialmente as mais vulneráveis, pagam o preço mais alto. A pandemia e esta crise, como nenhuma antes experimentada por nossa geração, já afetaram gravemente o acesso de muitos meninos e meninas à educação. O acesso a instalações vitais de proteção à criança, como escolas, linhas e grupos de apoio, têm sido completamente inacessíveis para as crianças quando elas mais precisam. O confinamento tem contribuído para diminuir a propagação do vírus, mas tem mantido crianças e adolescentes em péssimas condições”, acrescenta Buzducea.

Desde o início da pandemia, a World Vision já alcançou 24 milhões de crianças em todo o mundo com educação, proteção, nutrição e apoio para meios de subsistência, como parte de sua resposta de emergência de COVID-19, com um investimento de US$ 350 milhões. Desse contingente apoiado pela organização, mais de 4 milhões estão na América Latina.

“Nossa experiência mostra que, quando as crianças são fortalecidas e apoiadas, elas não se tornam vítimas passivas, mas se tornam heróis anônimos em tempos desafiadores. Suas opiniões, sua voz e suas perspectivas devem ser ouvidas pelos tomadores de decisão. A World Vision está ao lado das crianças e adolescentes que exigem o respeito aos seus direitos e defende a legitimação da participação e do empoderamento das crianças, por meio do diálogo intergeracional. Suas vozes são cruciais, pois trabalhamos juntos para responder ao COVID-19 e restaurar as condições apropriadas para as crianças no futuro”, conclui a diretora.