Tite lembra choro na estreia pela Seleção e confirma equipe titular: “É a mesma”

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Tite confirma mesmo time contra a Sérvia e alerta que Seleção está de olho na bola aérea

Treinador cita sua emoção contra o Equador para defender Neymar e diz que Sérvia pode ser seu ”novo Tolima”. Brasil busca a classificação para as oitavas nesta quarta, às 15h (de Brasília)

Sem surpresas antes do duelo decisivo da seleção brasileira na Copa do Mundo. Na véspera da partida contra a Sérvia, Tite confirmou a escalação que irá a campo às 15h (de Brasília) desta quarta-feira, no estádio do Spartak, em Moscou. Como se imaginava, sem mudanças em relação ao time que venceu a Costa Rica por 2 a 0.

Alisson, Fagner, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Casemiro; Paulinho, Philippe Coutinho, Willian e Neymar; Gabriel Jesus.

– (A Sérvia) tem a característica, sim, de bola aérea ofensiva, mas também a qualidade técnica individual. Jogadores de alto nível também. Temos a condição de poder neutralizar, evitar situações próximas, de faltas laterais, encurtar ou bloquear, e tirar proveito de alguma situação. Uma altura maior vai perder alguma coisa, a vida é assim. Estrategicamente vamos buscar. A equipe é a mesma – disse o treinador.

Brasil não terá mudanças para a partida contra a Sérvia (Foto: REUTERS/Max Rossi)
Brasil não terá mudanças para a partida contra a Sérvia (Foto: REUTERS/Max Rossi)

Tite mostrou tranquilidade ao falar do momento de pressão esperado no duelo decisivo desta quarta-feira. A emoção, segundo ele, é um ingrediente indispensável. Ao ser questionado sobre o choro de Neymar ao final do triunfo sobre os costarriquenhos, ele lembrou de sua estreia no comando da Seleção, frente ao Equador, nas Eliminatórias.

– Quero colocar para toda a nação brasileira. Estou em um posto, não sou… No primeiro jogo contra o Equador, o Tite chorou. O Tite chorou. Quando liguei para minha esposa, chorei de alegria, de satisfação, porque é nossa característica emocional. Chorei de prazer, de orgulho, de um momento de tanta pressão fazer um grande jogo.

– Tenho muito cuidado em fazer associações, só estou mostrando o outro lado. Entender que razão e emoção tem que estar equilibradas, e que há o momento do gelo, da calma, da lucidez. De manter padrão. O que é manter padrão? Aos 91 do segundo tempo, fazer um gol do jeito que a equipe está acostumada a jogar. A produção, principalmente do segundo tempo, e nesse quesito emocional me deixaram contente. Se vencer, ela se fortalece dentro de uma ideia que tem. E ela não abriu mão da sua ideia.

Após vitória contra a Costa Rica e empate na estreia com a Suíça, o Brasil lidera o Grupo E, com quatro pontos. Para avançar às oitavas de final sem depender de uma combinação de resultados, basta um empate em Moscou.

Veja outros trechos da coletiva:

  • Baixo aproveitamento nas finalizações

“Um dos motivos que fiquei feliz é porque das 23 finalizações, foram dez no gol. E por isso venceu, porque pôs o Navas para trabalhar. Aquele nível de aproveitamento, a gente pega uma observação quantitativa para uma análise qualitativa. Representa uma concentração maior e uma eficiência. Isso me basta”.

  • Sérvia pode ser um novo Tolima na sua vida?

“Pode. Todas as situações são possíveis. E eu não as descarto. Todo aprendizado que trouxe do passado… Com uma diferença. Também já estou há dois anos e pouco com essa equipe. Quando acabou o segundo tempo, me orgulhou. Porque normalmente chega 30 minutos do segundo tempo, bate desespero, há quebra de padrão, tu quer quebrar situação. Quando se manteve… ‘Nós vamos fazer, não é possível’. Hoje tenho dois anos de participações, 23 jogos. É pouco em relação ao Low. Eles ganharam aos 50 do segundo tempo, mantendo padrão. Aquilo que não tinha contra o Tolima, hoje tenho forte. Mas pode ser. É da vida”, responde o técnico à referência sobre a eliminação precoce na Libertadores no comando do Corinthians, em 2011.

  • Situação física de Neymar

“O Neymar só está nesse estágio de recuperação porque é bem dotado fisicamente, fora dos padrões normais. Caso contrário, não estaria. Não vim aqui para defender ninguém. Tanto é que quando foi bem contra a Croácia, houve toda uma situação, e eu disse ‘calma’. Se pegarem o mapa de calor contra a Suíça, é um. Contra a Costa Rica, tanto as jogadas de flanco, quanto por dentro, aumentou consideravelmente. Talvez mais um jogo ele esteja em sua plenitude. Não é dada a ele responsabilidade excessiva em cima de sucesso e insucesso. Cada um de nós tem sua responsabilidade, o conjunto resolve”.

Neymar será mais uma vez titular na Seleção nesta quarta (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
Neymar será mais uma vez titular na Seleção nesta quarta (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
  • Fabio Capello, técnico italiano, disse que Neymar tem simulado faltas

“O Capello está como comentarista ou como técnico? (Após resposta de que o italiano é comentarista) Capello, pra ti, ó. De técnico pra técnico, foi pênalti! Foi pênalti (em cima de Neymar contra a Costa Rica)”.

  • Manutenção de Paulinho e Willian no time

“Eles têm condição de crescer, como cresceu o segundo tempo da equipe. Ela vai se harmonizando. OIha a trajetória do Willian e do Paulinho. Olha o quanto foram consistentes e decisivos. Não posso desconsiderar isso. O foguetinho vai para um contra um direto. Ou dá para esquecer o jogo do Paulinho contra o Uruguai? Foi construído nesses 23 jogos”.

  • Lesão de Douglas Costa

“A matilha precisa do lobo, e o lobo precisa da matilha. O conjunto de lobos não é matilha, é alcateia. Eu só me flagrei na terceira vez. Precisamos dos atletas nas suas melhores condições, e ele foi extremamente importante. A característica que ele empresta pode contribuir. Exemplo do Firmino. Tu precisas de peças diferentes.

“Essas peças todas, essa engrenagem vai se moldando. Eu reputo à infelicidade, ele é jogador de torque, de aceleração, de velocidade. Nossos índices de maior velocidade foram 25% maiores do que contra a Suíça. Ele entrou com essa necessidade, talvez tenha influenciado. É circunstância de jogo. Vamos perder, vamos ganhar, como estamos ganhando outros atletas”.

“Os erros que cometemos, o técnico não externa. Quando era boleiro, não me expunham. Podem ter certeza de que teremos discernimento e não vamos nos omitir em relação a isso. Entre ter mau prestígio e má consciência, prefiro ter mau prestígio. Não vou me omitir de fazer as coisas corretas”.

Canarinho comanda a festa da torcida antes e durante chegada da Seleção ao hotel em Moscou
Canarinho comanda a festa da torcida antes e durante chegada da Seleção ao hotel em Moscou
  • Torcida brasileira e o mascote Canarinho

“O carinho é inigualável. Só quem está do outro lado sabe o quanto esse calor nos acalenta também, nos acaricia, nos reconforta. A gente tem essa noção. Todos nós queremos. Sei que vocês trabalham e também querem uma sequência profissional. Estive um pouquinho do outro lado. Esse carinho nos fortalece em relação a isso. O Canarinho é uma figura, cara. Ele tem um carisma próprio, parece que não é uma figura. Olha para o olho dele, o gestual, me falta a palavra. Carisma, carisma” (veja o vídeo acima).

  • Possível adversário nas oitavas

“Não podemos pensar nisso e não estamos pensando. A equipe se fortalece dentro da competição. Estrategicamente, estou procurando palavras do vocabulário para criar uma descontração, para que a situação possa fluir de forma tranquila. Mas não estou tranquilo, a expectativa é muito alta. Tem a qualidade da Sérvia, os méritos deles”.

  • Leveza na entrevista

“A passagem dos dias. Quando olho para traz e vejo toda a trajetória que nossa seleção fez, o momento que estivemos juntos. Quando começamos a nos lembrar. Quando começo a lembrar todo o passado, a construção dessa campanha. A necessidade da força de cada um, de equilíbrio emocional, para chegar até aqui. A comissão técnica e o quanto a gente procura se preparar bem me gera expectativa, mas me gera confiança”.

“Essa equipe está calejada suficientemente para jogos importantes. Fomos jogar contra a Colômbia, saímos ganhando, a Colômbia empatou e cresceu no segundo tempo. Cheguei no intervalo e disse que tinha que manter o nível de concentração alto. Tu vai construindo. Não é um discurso vão, otimista. Está embasado. Trinta anos de bagagem, de estrada”.