Sob tensão, venezuelanos saem às ruas para atos contra e a favor de Maduro

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Moradora do bairro de Cotiza, em Caracas, mostra ferimentos causados por balas de borracha disparadas pela Guarda Nacional Bolivariana Venezuelana durante um protesto na terça-feira (22) — Foto: Fernando Llano/ AP

Mulher caminha ao lado de muro com a inscrição 'Tempo de Combater', que é atribuída ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro  — Foto: Yuri Cortez / AFP
Mulher caminha ao lado de muro com a inscrição ‘Tempo de Combater’, que é atribuída ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro — Foto: Yuri Cortez / AFP

Em um clima de tensão, os venezuelanos voltam às ruas na tarde desta quarta-feira (23) em Caracas para se manifestar contra ou a favor do governo do presidente Nicolás Maduro.

Durante já madrugada, foram registrados protestos em 63 distritos da capital venezuelana. Alixon Pizani, de 16 anos, morreu após ser baleado em um ato no bairro de Catia, de acordo com o Observatório Venezuelano de Conflito Social.

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Condenamos el asesinato del joven Alixon Pizani (16) por herida de arma de fuego durante una manifestación en Catia, Caracas. Expresamos nuestra solidaridad a familiares y amigos. @CIDH @ONU_es

Segundo a Associated Press, jovens fizeram barricadas e gritaram palavras de ordem contra o governo Maduro no bairro, que fica próximo ao palácio Miraflores (sede do governo). O deputado da oposição Juan Manuel Olivares afirmou que cinco pessoas foram baleadas e pelo menos uma estava em estado crítico. A informação não pôde ser confirmada pela agência.

Oposição

A oposição, presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, escolheu o dia 23 de janeiro para o protesto porque nesta data, em 1958, o ditador venezuelano Marcos Pérez Jiménez deixou o poder.

Do outro, estão os chavistas que sairão de três pontos de Caracas em defesa de Maduro e contra a “ingerência estrangeira” no país.

As duas marchas não correm o risco de se encontrar, mas os moradores de Caracas estão preocupados com o que pode acontecer ao longo do dia, segundo relato da RFI. Em 2017, violentos confrontos durante manifestações deixaram mais de cem mortos no país.

A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, afirmou que “o governo bolivariano está agindo” e será “muito rigoroso com as regras para evitar a perturbação da paz pública”, de acordo com o jornal “El Universal”.

Rodriguez disse ainda que grupos terroristas financiados por setores extremistas da direita “optaram pelo caminho do golpe de Estado, desestabilização e pretendem retornar às páginas escuras da violência”.

Crise

A situação sócio-econômica do país se degrada e motiva as manifestações, que antes eram isoladas e por motivos pontuais como a falta de fornecimento de água ou de gás. A população tenta sobreviver a uma hiperinflação, que este ano deve chegar a 10 milhões por cento segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O aumento salarial de 400% anunciado por Nicolás Maduro fez com que os preços disparassem ainda mais. Muitos venezuelanos continuam fugindo do país como podem. Quem permanece se pergunta quando a situação irá melhorar.

Apoio dos EUA aos opositores

Os atos espontâneos ganharam força na segunda-feira (21) após a revolta de um dos regimentos da Guarda Nacional Bolivariana, em Cotiza, um bairro pobre no norte da capital.

À agitação provocada pela rápida insurgência se somou a uma sentença do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ, que é governista), que declarou “nulos” todos os atos aprovados pela Assembleia Nacional desde 5 de janeiro.

Na terça-feira (22), o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, divulgou um vídeo em que reafirma o apoio aos opositores do regime e encorajou as manifestações contra o governo chavista.

Nicolás Maduro acusou o vice de Donald Trump que de ordenar um golpe de Estado contra seu governo.

“O que fez o governo dos Estados Unidos através do vice-presidente Mike Pence, de dar ordens para a execução de um golpe de Estado fascista (…), não tem precedentes na história das relações entre Estados Unidos e Venezuela em 200 anos”, disse Maduro nesta terça-feira em mensagem à Nação.

Ele ordenou ao chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, que faça “uma revisão total das relações” com os Estados Unidos para tomar decisões nas próximas horas de “caráter político e diplomático” em defesa da Venezuela.

Maduro tomou posse para um segundo mandato presidencial no último dia 10. A oposição política venezuelana e diversos países – entre eles, os Estados Unidos, o Canadá e os membros do Grupo de Lima, do qual o Brasil faz parte – não reconhecem a legitimidade do novo mandato de Maduro. A Organização dos Estados Americanos (OEA) também declarou, no dia da posse, que não reconhece o governo do socialista.