“Queremos errar menos”

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Geovana Donella - Colunista do Jornal BOM DIA

 

É com muita satisfação que tenho notado nos últimos anos uma preocupação cada vez maior entre os gestores de empresas com a busca da qualidade da gestão  nas empresas. Todos querem resultados, mas muitos, ainda bem, já entenderam que isso não acontece apenas por sorte ou predestinação. É fruto de uma capacidade de gerir o negócio com um olhar amplo, entendendo empresas como organismos, como  um sistema com seus vários órgãos e  que precisam estar muito bem integrados e coordenados. Com cada órgão funcionando adequadamente e cumprindo seu papel efetivamente. Estamos falando do avanço silencioso dos conceitos de Governança Corporativa!

Nesta mesma corrente, temos visto empresas de pequeno e médio porte descobrirem o valor dos conselhos de administração, conselhos consultivos e comitês e como um instrumento fundamental do processo. Ou seja, percebem que contar com um time de profissionais experientes irá ajudar a direcionar o negócio e colher os melhores resultados da gestão eficiente e monitorada.

Há alguns anos, o “dono” da empresa era considerado o sabe-tudo, aquele que sozinho tomava todas as decisões e definia os rumos da empresa. Muitos, intuitivamente, acertaram, aparentemente podemos dizer, pois atingiram excelentes resultados. Mas o fato é que tudo poderia ser ainda melhor se lançassem mão da experiência e do conhecimento de pessoas experientes e dispostas a olhar o negócio de fora, os conselheiros de administração.

Mas quem seriam estas pessoas que posso chamar para um conselho de administração? Em geral, são ex-presidentes ou diretores de empresa, executivos e ou especialistas de alto escalão, profissionais que atuaram em áreas diversas como Recursos Humanos, Marketing, Vendas, Jurídico, Negócios em geral e agora atuam como conselheiros em uma ou mais companhias. Participam de reuniões regulares em que dirigem, monitoram e incentivam os rumos do negócio, zelando pela sustentabilidade da empresa e preservando sua perenidade.

No passado, contar com um conselho de administração era algo restrito a grandes companhias. Hoje não. Um conselho pode custar bem menos do que se pensa, comparado com o retorno que traz e certamente irá potencializar o negócio bem mais do que se imagina.

O CEO de uma jovem empresa em que atuo como conselheira deu a melhor resposta que já ouvi, quando perguntado porque havia decidido montar um conselho de administração logo no primeiro ano de operação: “Queremos errar menos”.  Em outras palavras, havia ali humildade para entender que profissionais experientes poderiam agregar e muito para o negócio. Diga-se de passagem, ele acertou em cheio e já colhe os frutos de uma trajetória surpreendente, mesmo sendo ainda uma jovem empresa. O porte pode ser pequeno, mas a visão desde sempre deve ser a de quem quer ser grande.