Promotoria pede anulação de júri do ex-soldado da Polícia Militar acusado de matar amigo com tiro no peito

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Vinícius Coradim foi acusado de três crimes — Foto: Reprodução/TV TEM

Pedido do MP de Araçatuba (SP) se baseia na suspeita de que um dos sete jurados do caso tenha amizade com um parente do réu. Vinícius Coradim foi condenado a 9 anos de prisão pela morte do estudante Diogo Belentani.

O Ministério Público de Araçatuba (SP) protocolou na Justiça nesta semana um pedido para anular o julgamento do ex-policial militar Vinícius Coradim, condenado no início deste mês a 9 anos e seis meses de prisão em regime semiaberto pelo assassinato do estudante Diogo Belentani, filho de um ex-comandante da PM na cidade.

Coradim é acusado de matar Belentani com um tiro durante um churrasco em Araçatuba. O crime aconteceu em julho de 2017 em uma chácara. Belentani tinha 21 anos quando foi baleado no peito com a pistola do policial, que era amigo dele.

O pedido do MP se baseia na suspeita de que um dos sete jurados do caso tinha ligação de amizade com um parente do réu.

De acordo com o MP, o jurado deveria ter avisado essa situação ao juiz antes de o julgamento ter começado, para que outra pessoa fosse escolhida.

A promotoria vai apresentar à Justiça nos próximos dias todas as razões do pedido, anexando documentos e depoimentos. O pedido deve ser apreciado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que então decidirá se anula ou não o julgamento.

Coradim, na época do crime, era soldado da polícia, mas pediu exoneração depois da morte de Belentani.

Diogo Belentani foi atingido no peito e morreu antes de chegar ao pronto-socorro em Araçatuba — Foto: Reprodução/Facebook
Diogo Belentani foi atingido no peito e morreu antes de chegar ao pronto-socorro em Araçatuba — Foto: Reprodução/Facebook

Decisão dividida

Por 4 votos a 3, os jurados decidiram condenar o réu por homicídio culposo, sem intenção, diferentemente do que pedia a promotoria, que concluiu que o réu teve intenção de matar a vítima.

Com o homicídio culposo, a pena é menor, inclusive, para ser cumprida em regime semiaberto. Mas para o Ministério Público, o policial agiu com a intenção de matar, por isso Coradim foi acusado de homicídio doloso.

Vinícius Coradim participou de audiência em Fórumd e Araçatuba (SP) — Foto: Reprodução/TV TEM
Vinícius Coradim participou de audiência em Fórumd e Araçatuba (SP) — Foto: Reprodução/TV TEM

Entenda o caso

O estudante Diogo Belentani foi baleado no peito com uma pistola ponto 40 durante o churrasco.

A primeira audiência do caso foi realizada em janeiro deste ano. Além de Coradim, prestaram depoimentos testemunhas de acusação e defesa. Na ocasião, o PM alegou que o disparo foi acidental.

Segundo a promotoria, Vinícius Coradim admitiu ter alterado a cena do crime, que teria ocorrido após uma discussão entre os rapazes por causa de uma mulher que estaria envolvida com eles.

A princípio, Coradim responderia por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Entretanto, a polícia descobriu que as testemunhas mentiram nos primeiros depoimentos e, depois, revelaram que o PM segurava a arma no momento do disparo, e não a vítima.

Desabafo da família

A família do estudante usou as redes sociais depois do julgamento para se manifestar sobre a condenação do soldado da Polícia Militar Vinícius Coradim.

A família Belentani afirma que o crime não foi um acidente “como a defesa pregou veemente em seus debates, com cenas teatrais e distorção da realidade, mas sim um assassinato a sangue frio, cometido por um indivíduo incapaz de demonstrar qualquer arrependimento por seu ato”.

Família do estudante morto com tiro no peito publica nota nas redes sociais após condenação do acusado — Foto: Reprodução/Facebook
Família do estudante morto com tiro no peito publica nota nas redes sociais após condenação do acusado — Foto: Reprodução/Facebook