Prévia do PIB do Banco Central aponta queda de 0,47%

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Jornal Bom Dia

O nível de atividade da economia brasileira registrou queda em abril, segundo informações divulgadas pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (14).

O chamado Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), considerado uma “prévia” do resultado do PIB, apresentou um recuo de 0,47% em abril, na comparação com março de 2019. O resultado foi calculado após ajuste sazonal (uma espécie de “compensação” para comparar períodos diferentes).

Os números do Banco Central mostram que esse foi o quarto mês seguido de retração do nível de atividade. A última vez que o IBC-Br registrou aumento, contra o mês anterior, foi em dezembro do ano passado.

Na comparação com abril de 2018, houve um recuo de 0,62% na atividade econômica. Na parcial do ano, foi registrada uma alta marginal de 0,06% e, em 12 meses até abril, um crescimento de 0,72%. Esses valores foram calculados sem ajuste sazonal, pois consideram períodos iguais.

Produto Interno Bruto

O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

O indicador do BC é divulgado após o tombo de 0,2% no resultado oficial do PIB no 1º trimestre, na comparação com o último trimestre do ano passado, segundo dados do IBGE. Essa foi a primeira queda do PIB trimestral desde o final de 2016. Dois trimestres seguidos de queda no PIB representam recessão técnica.

“O IBC-Br é visto como ‘proxy’ [uma aproximação] do PIB e o resultado de abril estreou o segundo trimestre do ano indicando recessão”, avaliou o Banco Fator, em relatório.

Para este ano, o mercado financeiro estima uma expansão do PIB de 1% para a economia, segundo pesquisa feita pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras na semana passada. O índice registra queda há 15 semanas consecutivas.

PIB X IBC-Br

O IBC-Br foi criado para tentar antecipar o resultado do PIB, que é divulgado pelo IBGE. Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do PIB.

O cálculo dos dois é um pouco diferente – o índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos.

O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária.

Definição dos juros básicos da economia

O IBC-Br ajuda o Banco Central na definição dos juros básicos da economia. Atualmente, a taxa Selic está em 6,5% ao ano, na mínima histórica, e a estimativa do mercado é de que permaneça neste patamar até o fim do ano.

Pelo sistema que vigora no Brasil, o BC precisa ajustar os juros para atingir as metas preestabelecidas de inflação. Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas ficam dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis.

Para 2019, a meta central de inflação é de 4,25%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desse modo, o IPCA, considerado a inflação oficial do país e medida pelo IBGE, pode ficar entre 2,75% e 5,75%, sem que a meta seja formalmente descumprida.