PM baleado por médico diz à polícia que agressor falou que ‘estava possuído’

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Morador registrou momentos antes dos disparos em Votorantim — Foto: Arquivo pessoal

G1 Sorocaba

O policial militar que foi baleado por um médico em um posto de combustíveis em Votorantim (SP) recebeu alta do hospital e prestou depoimento na Polícia Civil, na quarta-feira (13). O crime foi registrado por celulares e câmeras de segurança, na última sexta-feira (8).

O médico Weber Chimello Balhester, de 50 anos, pegou a arma da cintura do policial militar Leonardo Zucolin da Silva e disparou. A vítima ficou internada no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) e passou por cirurgia.

Segundo o relato do PM à investigação, ele chegou por volta das 4h ao posto de combustíveis com um amigo. Os dois ficaram conversando e bebendo cerveja no local onde médico já estaria com outras duas pessoas.

Em determinado momento, todos começaram a conversar e a vítima soube que o homem seria médico plantonista em Piedade, assim se apresentando como policial militar. Em seguida, o médico entrou na conveniência, comprou mais cervejas e todos continuaram a conversar.

Ainda conforme o depoimento do policial baleado, na sequência, o médico se aproveitou de um momento de distração quando a vítima ia embora, pegou a arma da cintura, disse que “estava possuído” e pediu para o policial ir atrás da moto.

O policial afirmou que pedia para o médico ter calma quando foi atingido por um estilhaço no pé e por um tiro do abdômen. A motivação, ainda segundo o policial, é desconhecida.

Flagrante em vídeo

Um vídeo mostra o médico dando um tapa no rosto da vítima antes dos tiros. As imagens às quais TV TEM teve acesso foram feitas por uma testemunha usando um celular. O vídeo mostra o momento em que o médico, já com a arma nas mãos, parece discutir com o policial.

Ele dá um tapa no PM, que parece tentar se explicar. Quase um minuto depois, o médico atira no policial. Ferido com três tiros, o policial se afasta e a testemunha continua gravando. Um rapaz aparece, pede calma e tira a arma de perto do médico.

O PM se senta na rua ao lado de um caminhão e, aparentando estar assustado, é acalmado por pessoas que passam pela rua.

Achou que era ladrão

O médico preso em flagrante disse à Polícia Civil que achou que o rapaz era um ladrão e cometeu o crime para se defender.

O atirador foi indiciado por tentativa de homicídio, motivo fútil e sem possibilidade de defesa da vítima.

Em nota, a PM explicou que não existe campo na esfera penal militar para essa ocorrência e, por este motivo, os procedimentos instaurados foram realizados pela Delegacia de Polícia Civil de Votorantim.