PF vai abrir inquérito para investigar mais suspeitos em desvio milionário da prefeitura de Jales

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Dinheiro e cheques apreendidos pela PF na prefeitura e na casa da tesoureira (Foto: Divulgação/Polícia Federal)

Quatro pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no crime durante a Operação Farra do Tesouro, entre elas, a ex-tesoureira da prefeitura. Atual inquérito deve ser concluído nesta terça-feira (14).

A Polícia Federal deve abrir um novo inquérito para apurar o envolvimento de mais suspeitos de participar do desvio de mais de R$ 5 milhões da prefeitura de Jales (SP). Quatro pessoas estão presas pela Operação Farra do Tesouro, entre elas a ex-tesoureira do município, Érica Cristina Carpi Oliveira.

Segundo a Polícia Federal, o próprio prefeito da cidade, Flávio Prandi (DEM), deve fazer parte da investigação, que vai incluir servidores de diversas áreas da prefeitura e também ex-prefeitos.

Prandi disse à TV TEM que vai continuar colaborando com as investigações da Polícia Federal.

“A questão de negligência está clara que existiu e vamos também concentrar esforços para ver se houve participação dolosa de novos envolvidos e se aqueles que participaram receberam algum benefício”, afirma o delegado Cristiano Pádua.

Casal Roberto Santos Oliveira e Erica Cristina Carpi Oliveira foi preso pela PF em Jales (Foto: Reprodução/Facebook)
Casal Roberto Santos Oliveira e Erica Cristina Carpi Oliveira foi preso pela PF em Jales (Foto: Reprodução/Facebook)

O atual inquérito, que deve ser concluído nesta terça-feira (14), será apresentado ao Ministério Público e o órgão terá cinco dias para definir a denúncia de Érica, do marido dela Roberto Santos Oliveira, da irmã Simone Carpi Brandt e do cunhado, Marlon Brandt, que estão presos desde 31 de julho.

De acordo com o delegado da PF, Cristiano Pádua da Silva, a família usou dinheiro público da educação, e principalmente da saúde, para bancar uma vida de luxo,como a construção de uma chácara de luxo na zona rural de Jales.

Chácara de luxo na Zona Rural de Jales foi lacrada pela Polícia Federal (Foto: Reprodução/TV GLOBO)
Chácara de luxo na Zona Rural de Jales foi lacrada pela Polícia Federal (Foto: Reprodução/TV GLOBO)

Imagens de dentro do imóvel mostram que a “Estância Felicidade” conta com área gourmet, móveis e eletrodomésticos de luxo, piscina e palmeiras no jardim. A estimativa da PF é de que a ex-diretora financeira da prefeitura possa ter desviado até R$ 10 milhões das contas públicas em 10 anos.

“Difícil encontrar um imóvel no mesmo padrão em Jales. Tudo com recursos públicos. Desviaram um valor absurdo de, em média, R$ 100 mil por mês”, afirma o delegado.

No primeiro depoimento à PF, Érica confirmou que fazia os desvios desde 2008. O dinheiro, segundo a polícia, ia direto para contas da ex-servidora e até para as empresas do marido, que abriu três lojas de roupas e calçados.

Tesoureira foi presa pela PF dentro da casa dela na operação Farra do Tesouro em Jales (Foto: Reprodução/TV TEM)
Tesoureira foi presa pela PF dentro da casa dela na operação Farra do Tesouro em Jales (Foto: Reprodução/TV TEM)

Além da prisão da família, a polícia lacrou os comércios, a chácara e apreendeu carros de luxo, sendo que um dos veículos havia sido comprado dias antes. Policiais à paisana flagraram Roberto na concessionária fechando o negócio.

Érica recebia salário de R$ 3 mil por mês e, no segundo depoimento, afirmou que os parentes e o marido não sabiam dos desvios.

Entretanto, em uma mensagem flagrada pela polícia no celular do marido, ela aparece afirmando que havia feito um depósito de R$ 22 mil a uma empresa de esquadrias de alumínio. O dinheiro do cheque de 18 de julho era do Fundo Municipal de Saúde.

Polícia Federal em frente à casa da tesoureira da prefeitura de Jales (Foto: Janaína de Paula/TV TEM)
Polícia Federal em frente à casa da tesoureira da prefeitura de Jales (Foto: Janaína de Paula/TV TEM)

A ex-secretária de Saúde Maria Aparecida Martins, que teve a prisão temporária revogada, foi exonerada do cargo e não quis falar sobre o assunto. Ela vai responder por peculato culposo porque também assinava os cheques, sendo necessárias duas assinaturas, e não conferiu o destino das verbas, informou a PF.

A defesa da tesoureira Érica, da irmã Simone e do cunhado Marlon afirmou que os clientes estão colaborando com as investigações e não se opõem a prestar esclarecimento.

Já o advogado de Roberto disse que ele desconhecia a origem do dinheiro, mesma versão apresenta à polícia. O comerciante afirmou ainda que a esposa não tirava férias, mas que nunca a questionou sobre o assunto.