Parque São Geraldo recebe projeto ‘O Bairro Ideal’ em Bauru

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Parque São Geraldo foi loteado em 1952 e região atualmente abriga cerca de 7 mil moradores, segundo a prefeitura — Foto: TV TEM/Reprodução

Iniciativa idealizada pela TV TEM apresenta alguns dos principais problemas enfrentados pelos moradores de uma região da zona norte marcada pela tranquilidade.

O projeto “O Bairro Ideal”, idealizado pela TV TEM, passa nesse mês de setembro pelo Parque São Geraldo, na zona norte de Bauru, considerado por seus moradores como um dos mais tradicionais a acolhedores de Bauru (SP).

O projeto vai abranger os bairros do entorno do Parque São Geraldo, como Jardim TV, Parque Residencial do Castelo, Jardim Marília, Parque Santa Cecília, Parque Novo São Geraldo, Parque São Cristóvão, Jardim Godoy e Jardim Fonte do Castelo.

Durante quase dois meses, a equipe de reportagem percorreu as ruas desta região, levantou histórias e ouviu os moradores sobre as principais dificuldades que eles enfrentam.

O objetivo é fazer um levantamento dos problemas encontrados no local e buscar com as autoridades responsáveis as soluções.

E foram justamente os moradores que apontaram os quatro temas que mais afligem a região do Parque São Geraldo: q qualidade do asfalto, os problemas na saúde, o lixo e a falta de ações de lazer.

A partir da próxima segunda-feira (24), reportagens especiais no TEM Notícias vão revelar os detalhes de cada um dos temas escolhidos pelos moradores.

A van do projeto ‘O Bairro Ideal’, com a urna de votação, ficará estacionada ao lado do posto de saúde do Jardim Godoy — Foto: TV TEM/Reprodução
A van do projeto ‘O Bairro Ideal’, com a urna de votação, ficará estacionada ao lado do posto de saúde do Jardim Godoy — Foto: TV TEM/Reprodução 

E a Van do Bairro Ideal vai ficar estacionada em frente ao Núcleo de Saúde do Jardim Godoy (Alameda Flor do Amor, quadra 10). Lá, uma urna eletrônica será instalada para receber os votos indicando qual dos temas é o prioritário. A urna funcionará de segunda (24) a quinta-feira (27), das 7h às 18h.

Na sexta-feira (28), o projeto vai cobrar da autoridade responsável uma solução para o problema mais apontado na votação.

Sossego e ‘cara’ de interior

Os moradores da região do Parque São Geraldo têm orgulho da “cara” de interior e da tranquilidade que são marcas registradas do local.

Segundo dados da prefeitura, o bairro começou a ser loteado em 1952, mas as primeiras casas só começaram a aparecer no início da década de 60.

A costureira Dalva Dalbon Batista, de 80 anos, revela seu amor pelo bairro: "Só saio daqui quando morrer" — Foto: TV TEM/Reprodução
A costureira Dalva Dalbon Batista, de 80 anos, revela seu amor pelo bairro: “Só saio daqui quando morrer” — Foto: TV TEM/Reprodução

A costureira Dalva Dalbon Batista, de 80 anos, revela seu amor pelo bairro: “Só saio daqui quando morrer” — Foto: TV TEM/Reprodução

Dentre essas residências, algumas são consideradas relíquias de um tempo em que o bairro mais parecia um sertão, com ruas de terra e nenhuma infraestrutura.

Como a casa de madeira da família de Dalva Dalbon Batista, construída há mais de 50 anos na Alameda Manoel Figueiredo e que ainda resiste ao progresso. No local, a mulher passou boa parte de seus 80 anos costurando e fazendo amizades.

“Aqui [no São Geraldo] tem tudo bom, tem boa vizinhança, boa gente. É tranquilo e não acontecem barbaridades que a gente vê em outras vilas. Temos aqui o sossego do interior. Eu só saio daqui quando morrer”, diz dona Dalva.

“Isso aqui era um terreno abandonado, com lixo e mato. Mas eu cuido porque, afinal das contas, aqui é a minha casa também”, diz o aposentado.

O aposentado Mário Gonçalves Ferreira cuida de um terreno baldio em frente sua casa: "Aqui também é minha casa" — Foto: TV TEM/Reprodução
O aposentado Mário Gonçalves Ferreira cuida de um terreno baldio em frente sua casa: “Aqui também é minha casa” — Foto: TV TEM/Reprodução

Conhecido como Seo Mário da Barba Branca, o aposentado mora no local há 52 anos. Quando chegou, segundo ele , o bairro mais parecia uma grande propriedade rural, com ruas de terra, sem escolas ou posto de saúde.

Já o aposentado Joaquim Neto destaca a tranquilidade do bairro que permite que as pessoas façam passeios pelas ruas ou formem rodas de conversas nas calçadas nos fins de tarde. Um ambiente ideal, segundo Neto, para fazer muitas amizades.

A “cara” de interior também é o palco ideal para o cultivo de tradições culturais que, em outros locais, acabam se perdendo no tempo.

É o caso do grupo Caçula de Catira, criado pelo aposentado Toninho Domingues justamente para preservar a tradição caipira.

“Meu pai era catireiro, violeiro e eu também fui criado desse jeito. Então, pra mim, a catira é tudo porque representa a origem do sertão”, diz Domingues.

Grupo de Catira criado no bairro durante ensaio: tradição caipira preservada — Foto: TV TEM/Reprodução
Grupo de Catira criado no bairro durante ensaio: tradição caipira preservada — Foto: TV TEM/Reprodução