Parar não é desistir

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Quem me conhece, sabe que sou corredor há mais de doze anos. Já tenho no meu Curriculum, uma Maratona (a próxima será em novembro em Nova Iorque), uma dezena de meia-maratonas, além de outras provas extremamente desafiadoras que envolvem trilhas pesadas, areia fofa, além de muito calor e cansaço.

Ao longo desse tempo todo correndo, já vi muitos atletas terminando uma Maratona e passando meses sem poder sequer ouvir a palavra corrida, além de outros tantos casos de pessoas que se lesionam ou “quebram” no meio de uma prova, sendo obrigados a parar.

Da mesma forma, esses mesmos corredores, em sua grande maioria, acabam voltando mais fortes, experientes, descansados, com muito mais determinação e, depois desse períodos, vivem desempenhos excepcionais, comparados aos que tinham antes.

Quantas vezes em nossa trajetória profissional, afetiva ou empreendedora, não passamos por situações similares. Nos deparamos com fases em que estamos esgotados da trilha que estamos seguindo – fisicamente ou emocionalmente debilitados para seguir em frente ou, até, desanimados com a quantidade de trabalho, esforço e energia que gastaremos até o final de nosso trajeto.

Nesses horas, a tendência é que tudo o que parecia claro, límpido e prazeiroso, fique turvo (assim como a visão de um corredor fadigado), e tudo o que temos é a sensação de derrota, da falha e a vontade obsessiva de desistir e nunca mais voltar.

Esse é o momento em que temos de buscar, reviver e sentir, o que nos fez estar naquela caminhada, quais as razões que nos  motivaram a escolher aquele caminho, aquele projeto, aquele empreendimento, aquela pessoa.

Esse é um instante definitivo na vida de qualquer um, quando se busca na memória afetiva, real ou sensorial a energia e a chacoalhada que precisamos tomar, que nos leve de volta a realidade, que devolva a confiança e fundamentalmente, a certeza de que você, de fato, não quer desistir mas apenas PRECISA descansar.

Para isso, é importante saber que todas, absolutamente todas as crises, lesões, fadigas ou acidentes, apareceram exatamente para que nos confrontemos com a nossa real vontade, analisemos os erros que cometemos e que consigamos mentalizar e materializar  (sabendo nossa real condição) o que precisamos fazer para, descansar, respirar, nos acalmarmos, nos nutrirmos e voltarmos para o caminho, não apenas objetivando a chegada mas, acima de tudo, tendo muito prazer durante a jornada. E no final, descobriremos que a chegada, é apenas a consequência de um bom percurso.