Pai comprou achocolatado com veneno de amigo

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Rhayron Christian, de 2 anos, morreu após tomar achocolatado supostamente envenenado (Foto: Arquivo pessoal)

Menino de 2 anos morreu após tomar bebida; dois suspeitos foram presos.
Segundo a polícia, veneno para ratos teria sido colocado em produto.

A mãe do menino de 2 anos que morreu após ingerir achocolatado supostamente envenenado, na última quinta-feira (25), em Cuiabá, disse que o marido, que é pai de Rhayron Christian da Silva Santos, comprou o produto de um amigo dele, que foi preso nesta quinta-feira (1º) junto com outra pessoa, por um preço abaixo do valor vendido nos mercados. O achocolatado foi enviado para perícia. O laudo ainda não foi divulgado pela Polícia Civil.

Segundo a Polícia Civil, Deuel de Rezende Soares, de 2marido7 anos, teria furtado a bebida de um mercado. O outro preso é dono de uma mercearia na região. Ele é suspeito de ter envenado o achocolatado.

“Estávamos passando por dificuldades [financeiras]. Ele vendeu mais barato. Nós pagamos R$ 10 pelos cinco achocolatados”, contou a mãe, Dani Cristina dos Santos, de 26 anos. A família mora no Bairro Parque Cuiabá, na capital.

Na data em que a criança morreu, a mãe disse que ao acordar o marido a avisou que tinha cinco caixinhas de achocolatado na geladeira. E, quando o filho acordou, ela pegou o achocolatado e deu ao filho.

“Meu marido só mandou que eu olhasse a validade antes de dar para ele. Eu olhei e vi que ainda iria vencer no mês 11”, disse Dani. Rhayron tinha completado dois anos três dias antes de morrer. Ela disse que não conhece o microempresário que foi preso por suspeita de ter envenenado o achocolatado.

Segundo a mãe, os achocolatados estavam lacrados e não havia nada de estranho. Ela contou que abriu uma caixinha e tomou dois goles antes de dar para o filho. “Ele nem tomou tudo, só uns goles”, afirmou.

Ele nem tomou tudo, só uns goles”
Dani Cristina dos Santos, mãe de criança

Ela contou que a criança bebeu o achocolatado e sentou junto com ela para assistir TV. O pai que também estava na casa pediu um abraço ao filho. “Ele levantou e saiu correndo para abraçar o pai. Daí já começou a ficar sem ar”, explicou.

Em seguida, Dani disse que saiu na rua para pedir ajuda e um homem que passava de carro a ajudou a levar o filho até a Policlínica do Coxipó. Rhayron morreu cerca de uma hora depois de ter ingerido a bebida, segundo a mãe.

A mãe disse que também passou mal. “Fiquei com o corpo frio, suando, vomitei”, disse.

Ela lamenta a morte do filho e disse que espera a punição dos culpados. “A dor é muito grande. Não sei nem o que falar. Só quero que a Justiça seja feita”, declarou. Todos os dias desde a morte ela diz ir ao cemitério para “sentir a presença do filho”. O menino foi enterrado no dia 26. “Ele era um anjo. Não teve tempo de aproveitar as coisas boas da vida”, pontuou.

Dois suspeitos são presos na morte de criança após beber achocolatado (Foto: Thainá Paz/ G1)
Dois suspeitos de participação na morte de criança foram presos (Foto: Thainá Paz/ G1)

O crime
De acordo com a Polícia Civil, Adones José Negri, de 61 anos, é suspeito de ter colocado no achocolatado um veneno para matar ratos. A bebida foi furtada por Deuel na casa do dono do mercado. Os dois foram presos. Detalhes da investigação que chegou até os dois suspeitos ainda não foram informadas pela polícia.

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a morte da criança a partir de denúncia registrada pela mãe na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ela relatou que o filho tomou o achocolatado, da marca Itambé.

Suspensão
Por causa disso, até que os produtos Itambezinho, do lote lote MA: 21:18, fossem analisados em laboratório, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de um lote do achocolatado Itambezinho e proibiu a comercialização do produto pelo período de 90 dias, em todo o Brasil.

Posicionamento do fabricante
Em nota, a Itambé, empresa fabricante do produto, informou que, com a prisão dos dois suspeitos de envenenamento, ficou esclarecido que o produto Itambezinho não estava contaminado.

“A Itambé reforça que desde o dia 25/05, data de fabricação do lote em questão, já foram comercializadas mais de 5 milhões de unidades e não foram registradas reclamações de nenhuma natureza. A empresa lamenta o ocorrido, se solidariza com a dor da família e reforça seu compromisso com os consumidores brasileiros ao entregar produtos da mais alta qualidade”, diz trecho da nota.

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