Organização volta atrás e decide retomar evento com Marco Feliciano

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Palestra com o pastor e deputado federal havia sido cancelada no dia 6.
Encontro em Cascavel (PR), na sexta (12), reuniu cerca de 800 pessoas.

Segundo a organização, "lado cristão" pesou na decisão de retomar evento que havia sido cancelado após as denúncias de assédio sexual contra o deputado Marco Feliciano (Foto: Reprodução/Facebook)Segundo a organização, “lado cristão” pesou na decisão de retomar evento que havia sido cancelado após as denúncias de assédio sexual contra o deputado Marco Feliciano (Foto: Reprodução/Facebook)

A organização de um evento com a participação do pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) em Cascavel, no oeste do Paraná, voltou atrás decidiu realizar o encontro após ter anunciado seu cancelamento. A decisão havia sido tomada, conforme explicava o comunicado, em função das denúncias de assédio sexual envolvendo o parlamentar.

Na terça-feira (9), um novo comunicado no perfil da loja de produtos cristãos que organizou o evento informava que a programação seria retomada e realizada no dia inicialmente previsto, na sexta-feira (12). No total, cerca de 800 pessoas assistiram à palestra organizada para a Semana Municipal da Família. A imprensa não foi autorizada a acompanhar o encontro.

Em um vídeo gravado durante o evento, Feliciano citou a reportagem  sobre o cancelamento e disse que a reportagem mentiu. O organizador do encontro, pastor Alaor Caciano Freitas, confirmou, no entanto, que o evento havia sido cancelado, e que depois resolveu mantê-lo.

“Depois de conversar com o pastor, analisei com mais tranquilidade os acontecimentos e cheguei à conclusão de que se num momento de ataque que alguém da nossa família estiver sofrendo, baseado em verdade ou em uma inverdade, nosso familiar não puder contar com o nosso apoio ele não vai ter com quem contar. Aí pesou o lado cristão e o apoio a um irmão na fé”, explicou Freitas.

O pastor e dono da Loja Ebenezer, que promoveu o evento em comemoração aos 15 anos do estabelecimento, disse que Feliciano não comentou sobre as denúncias de assédio sexual e agressão pela estudante de direito e militante do PSC Patrícia Lélis.

Denúncia e defesa
A jovem de 22 anos acusa o pastor de abuso sexual e também registrou boletim de ocorrência em São Paulo contra o chefe de gabinete de Feliciano, Talmo Bauer. Segundo ela, Bauer a ameaçou com uma arma para que ela realizasse vídeos nas redes sociais desmentindo o abuso sexual. Feliciano e Bauer negam as acusações.

As denúncias de Patrícia vieram à tona na no dia 2, após serem publicadas pela coluna Esplanada, do UOL. No dia seguinte circularam na internet áudios em que a jovem, de 22 anos, diz ter sido abusada sexualmente pelo deputado.

No dia 6, Marco Feliciano divulgou um vídeo em seu perfil no YouTube no qual diz que a militante do PSC Patrícia Lélis fez uma “falsa comunicação” de crime de assédio sexual contra ele.

No perfil no Facebook, a loja que vinha organizando o evento com Feliciano comunicou o cancelamento e justificou a decisão (Foto: Reprodução/Facebook)No perfil no Facebook, a loja que vinha organizando o evento com Feliciano comunicou o cancelamento e justificou a decisão (Foto: Reprodução/Facebook)

No boletim de ocorrência registrado por Patrícia, ela relata que se sentiu ameaçada por Talma Bauer, chefe de gabinete de Feliciano. A jovem declarou que, com uma arma na cintura, ele teria dito que se ela não voltasse atrás nas denúncias sobre o deputado Feliciano, poderia ocorrer um “mal maior” com ela. O assessor de Feliciano chegou a ser detido, prestou depoimento à polícia sobre o caso e foi liberado.

Patrícia chegou a gravar vídeos, dias antes de registrar o boletim na delegacia, desmentindo a versão do assédio.

Por ter foro privilegiado, Feliciano não é investigado pela polícia paulista, que apura apenas as acusações da jovem de que foi mantida em cárcere privado por Bauer para que mudasse a versão. Esta hipótese já foi descartada pela polícia. O delegado Luiz Roberto Hellmeister apura se a jornalista cometeu falsa comunicação de crime e extorsão.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que é procuradora especial da Mulher no Senado, protocolou ofício junto ao Ministério Público do Distrito Federal pedindo investigação sobre o deputado pela suposta tentativa de estupro. O PSC também criou uma comissão interna para apurar o caso.

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