O mesmo discuro conservador

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Primeiramente, gostaria de agradecer a chance de estar em contato com os leitores do jornal através dessa coluna. A partir dessa oportunidade, por ser meu primeiro texto, assim como por estarmos em um ano de eleição e de vivermos em tempos de grande polarização, decidi refletir sobre um tipo de discurso.

A história brasileira mostra como alguns argumentos que fundamentam o discurso conservador possuem uma trajetória e carga histórica enorme. Hoje, defender, ou simplesmente não ser contra a escravidão nos parece absurdo. Mas durante os debates contemporâneos à Lei Áurea, muitos argumentos para que os escravos não fossem libertos eram defendidos em nome da família, da legalidade, da ordem, do bem comum, etc[1].

Uma pessoa do século XXI não pensaria em razões de ser a favor da escravidão baseando-se nesses pilares. Seria impensável hoje alguém defender a exploração da mão-de-obra escrava, sejam por quais forem os argumentos. Mas torna-se ainda mais difícil de imaginar a defesa dessa instituição se baseando em nome da família brasileira e dos “bons costumes”.  Porém, podemos observar como esses argumentos são usados de forma recorrente para justificar pensamentos que são contra as tentativas das minorias atuais conseguirem seus direitos.

A diferença da situação é clara, mas a reflexão deve ser feita a partir do momento em que observamos que os mesmos argumentos são base para o discurso conservador mesmo depois de mais de um século. Principalmente se analisarmos que foram utilizados como posicionamento contra a libertação dos escravos, hoje são os mesmos princípios que se colocam contra os direitos das minorias.

As ideias que são postas para a defesa de uma visão ou ideologia devem ser mais profundas e embasadas do que as apresentadas. O debate deve ser feito com o intuito de entendermos os problemas que a sociedade brasileira enfrenta e apontar suas possíveis soluções.

Muitas ideias conservadoras são sustentadas com argumentos rasos e sem fundamento lógico, apenas fundadas no preconceito e pensamentos descontextualizados. A reflexão mais profunda de todo problema é necessária para que não se repitam os mesmos pensamentos que travam o desenvolvimento humano e social brasileiro, nem o discurso que colocaram vários homens no “lado errado” da história.