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Aos 11 anos, artista de PG lança primeira exposição de retratos de personalidades feitos à mão

“Na ponta do lápis” reúne 12 desenhos, como Jesus Cristo, Van Gogh e Marília Mendonça, no Palácio das Artes

08/10/2026 às 15h57
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Praia Grande - SP
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Imagine desenhar os rostos mais famosos do mundo e do Brasil usando apenas um lápis comum. É assim que Lorenzo Dutra Xavier, de apenas 11 anos e morador de Praia Grande, apresenta sua primeira exposição autoral, “Na ponta do lápis”. Com entrada gratuita, a mostra está em cartaz neste mês das crianças, no Hall Superior Prof. Osmário Barreto, no Palácio das Artes, até 30 de outubro, com visitação de terça a sexta-feira, exceto em pontos facultativos e feriados, das 14 às 17 horas.

 

Nomes que atravessam gerações fazem parte da concepção. Jesus Cristo, o físico Albert Einstein, os pintores Vincent van Gogh e Salvador Dalí, o aeronauta Santos Dumont, a atriz Marilyn Monroe, o ator Morgan Freeman, a cantora Marília Mendonça, o apresentador de televisão e ex-deputado federal Clodovil Hernandes e o influenciador Carlinhos Maia estão entre as personalidades retratadas pelo pequeno.

 

O trabalho do ‘artista mirim’, como costumam chamá-lo, se concentra principalmente na representação de pessoas vivas ou que já morreram, por meio de retratos desenhados à mão. O jovem procura transmitir características, expressões e traços que ajudam a revelar a personalidade de quem está no papel.

 

Com o total de 12 desenhos, as artes apresentam uma base realista, com atenção aos detalhes do rosto, dos cabelos, de parte do vestuário e das características individuais. Ao mesmo tempo, incorporam elementos de caricatura ao valorizar determinados traços e expressões.

 

O uso predominante de preto, branco e tons de cinza cria uma identidade visual marcante. O contraste entre luz e sombra dá profundidade e dramaticidade às obras. Em algumas delas, a expressão aparece mais séria e clássica. Em outras, surge um lado mais divertido e exagerado.

 

De modo geral, o entusiasta transforma figuras reconhecíveis em interpretações próprias, misturando realismo, caricatura e expressividade. O resultado é uma estética que remete a retratos antigos e à cultura visual de diferentes épocas, mas que também carrega o olhar particular de uma criança que descobriu no desenho uma forma de se expressar.

 

Início –Morador do bairro Cidade da Criança, o pequeno autodidata aprendeu a desenhar sozinho, sem frequentar cursos formais ou escolas de arte. O primeiro instrumento foi um lápis de escrever simples, daqueles usados no dia a dia escolar. A habilidade começou a aparecer ainda na primeira infância.

 

“Essa paixão começou desde sempre. Minha mãe dizia que, com três aninhos de idade, quase quatro, eu já fazia animaizinhos. Com 8 e 9 anos, comecei a fazer rosto. Hoje em dia, eu faço detalhes, sombra, pele e olho. Nunca tive inspiração, mas sempre sonhei em ter minha própria exposição. Está dando certo e pretendo continuar nesse caminho quando crescer”, contou Lorenzo.

 

Filho de uma recepcionista de um hospital da Cidade e de um jardineiro, o garoto é o primeiro artista da família. Para Larissa Dutra, de 34 anos, mãe do menino, o interesse pelo desenho foi crescendo diante dos olhos dos familiares. “Desde muito pequeno, conforme o tempo foi passando, ele foi pegando o gosto por lápis e caneta. Eu achava estranho porque ninguém tinha esse dom. Isso começou na creche, e a professora falava: ‘Olha, ele vai ter um grande futuro’”.

 

Produção –Com o passar dos anos, os desenhos ficaram mais detalhados e a memória visual passou a ser uma das principais ferramentas de Lorenzo. Em média, cada obra leva um dia para ser concluída. Algumas vezes, ele consegue reproduzir uma pessoa apenas a partir daquilo que ficou registrado em sua mente. Em outras, utiliza uma imagem como referência. “Eu não tenho muita dificuldade para desenhar. Lembro muito do que visualizo. Bato o olho e passo para o papel, mas também utilizo uma imagem ao lado para recriar. O mais difícil foi o Morgan Freeman, pelos detalhes. Levei um dia para recriá-lo”.

 

Desde que começou a desenhar, Lorenzo conta que nunca teve uma inspiração específica. Atualmente, porém, desenvolveu uma admiração especial por um dos maiores nomes da história da arte.

 

Desde que começou a desenhar, Lorenzo conta que nunca teve uma inspiração específica. Atualmente, porém, desenvolveu uma admiração especial por um dos maiores referenciais da história da arte. “Nunca me inspirei em artistas, mas agora eu tenho gostado muito do Van Gogh (um dos principais nomes do pós-impressionismo, conhecido pelas pinceladas marcantes e pelo uso expressivo das cores). Gosto muito das artes dele”, completou.

 

Entre o desenho e o tatame –O desenho convive com outra paixão de Lorenzo: o jiu-jitsu. Há quase dois anos, ele pratica o esporte, que trouxe novas experiências, disciplina e confiança. Enquanto no tatame encontra desafios, no papel continua descobrindo novas formas de imaginar e criar. “Eu estou no jiu-jitsu há quase dois anos. Eu amo o que faço. Isso me ajudou muito com a minha confiança também. Já tive duas medalhas de prata em competições. Gosto também de desenhar coisas dessa prática”, contou.

 

Entre lápis, papel e tatame, Lorenzo vai construindo diferentes maneiras de se expressar. Cada desenho revela não apenas aquilo que seus olhos observam, mas também o que sua memória registra e sua imaginação transforma antes de chegar às mãos e, finalmente, ao papel.

 

Um espaço para começar –Para a família, ter as portas do Complexo Cultural Palácio das Artes abertas para um artista mirim que está começando a construir sua trajetória representa uma oportunidade importante. A exposição também se torna um ponto de partida para que outras crianças e jovens possam enxergar na arte uma possibilidade.

 

“É um orgulho, sabe? Eu nem sei o que descrever para vocês. A minha gratidão é muito grande. Viemos de muito longe, temos uma vida simples, e estamos aqui no PDA apresentando as obras do meu filho. Tenho certeza de que existem outros artistas aqui na nossa Cidade que vão se espelhar e se inspirar. Eu creio que existem muitos artistas escondidos que vão brilhar também, assim como Lorenzo”, concluiu a mãe do desenhista.

 

O secretário de Cultura e Turismo, Mauricio Petiz, reforçou o empenho da Administração Municipal em ampliar oportunidades para aqueles que desejam expressar suas manifestações artísticas. “É tão emocionante ver um jovem de apenas 11 anos com tanto talento e tanta determinação pela sua arte. Abrir nossas portas enquanto Secretaria é o mínimo que podemos fazer para garantir que suas obras cheguem a toda a população do Município e que sejamos a primeira oportunidade de várias outras que estão por vir. Conseguirmos realizar isso no Mês das Crianças deixa tudo ainda mais especial”, destacou Petiz.

 

Endereço –O Hall Superior Prof. Osmário Barreto está localizado na Avenida Presidente Costa e Silva, nº 1.600, no bairro Boqueirão, dentro do Palácio das Artes. O espaço também oferece estacionamento gratuito com capacidade para cerca de 70 veículos.

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