Natação brasileira estreia para firmar reputação de carro-chefe no Pan e manter média de pódios

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Breno Correia no Mundial de Gwangju — Foto: Satiro Sodré/rededoesporte.gov.br

Nadadores do país obtiveram ao menos 25 pódios nas últimas três participações no evento continental

A natação brasileira estreia nesta terça-feira nos Jogos Pan-Americanos de Lima com uma reputação a defender. Nas última três edições do maior evento esportivo das Américas, o esporte foi o carro-chefe da delegação nacional. Na capital peruana, a expectativa não é menor.

Desde que Thiago Pereira brilhou com oito medalhas (seis ouros, uma prata e um bronze) no Pan do Rio, em 2007, e consolidou sua condição de maior medalhista da história do evento em Guadalajara 2011 e Toronto 2015, a natação do país mudou de patamar. No México, há oito anos, foram 25 pódios conquistados (10 ouros, 9 pratas e seis bronzes) e, no Canadá, há quatro anos, mais 26 (10 ouros, 6 pratas e 9 bronzes). Nos dois certames, os brasileiros só não levaram mais ouros do que os Estados Unidos, maior potência mundial da modalidade.

Em Lima, espera-se que a equipe nacional mantenha a média de ao menos 25 pódios. Os canais SporTV transmitem todas as finais da natação ao vivo (eliminatórias às 13h e finais às 22h30 de Brasília).

Etiene Medeiros no Mundial de Gwangju — Foto: Reuters

A galeria de medalhas tornou o Pan, que já era tido em alta estima pelos nadadores do país, uma das competições mais visadas do calendário internacional. Um dos principais destaques da equipe brasileira, Etiene Medeiros ressalta a importância de disputar mais uma edição do evento.

– Para mim, o Pan representa muita coisa. Fui a dois e agora disputo meu terceiro. Vai ser muito divertido. É uma competição com um espírito legal, com atletas de outras modalidades, mas isso dá um “up” nas emoções – disse a nadadora de 28 anos, que no final de julho foi vice-campeã mundial em Gwangju, na Coreia do Sul, nos 50m costas.

Além da prata dela, o Brasil obteve mais quatro pódios na piscina em Gwangju, com Nicholas Santos (50m borboleta, bronze), Felipe Lima (50m peito, prata), João Gomes Júnior (50m peito, bronze) e Bruno Fratus (50m livre, prata).

Etiene é a única mulher brasileira a conquistar um ouro individual em Jogos Pan-Americanos. Em Toronto 2015, ela foi ouro nos 100m costas e ainda levou uma prata e dois bronzes. Em Lima, ela pode se tornar a maior medalhista mulher do país em uma única edição do Pan caso nade todas as seis provas previstas – os revezamentos 4x100m – livre e misto, 4x100m medley – livre e misto – 100m costas e 50m livre.

Nesta terça-feira, a pernambucana deve integrar o revezamento 4x100m livre e tem muita chance de já subir ao seu primeiro pódio. As provas de natação se estendem até o próximo sábado.

O desempenho da natação brasileira em Pan neste século

Ouro Prata Bronze Total
Santo Domingo 2003 3 6 12 21
Rio 2007 10 7 9 26
Guadalajara 2011 10 9 6 25
Toronto 2015 10 6 10 26

Não é só Etiene que desfruta do Pan por ter um esquema mais coletivo do que um Campeonato Mundial, com vila dos atletas, refeitório, zona internacional e estrutura semelhante à dos Jogos Olímpicos.

– Em Gwangju, a gente só estava como esportes aquáticos, mas no Pan, com essa questão da vila (dos atletas), do clima olímpico, com todos os esportes juntos, eu acredito que seja um adicional até para o resultado do atleta – afirmou Guilherme Guido, de 32 anos, nadador com três participações em Pan e quatro medalhas (dois ouros, uma prata e um bronze).

Na delegação com 35 nadadores brasileiros (18 homens e 17 mulheres), há veteranos consagrados como Guido, Etiene, Marcelo Chierighini e Bruno Fratus, mas também há espaço para novatos em Pan. Um deles é o velocista Breno Correia, de 20 anos, que no Mundial de Gwangju foi finalista nos 100m livre e nos revezamentos 4x100m livre e 4x200m livre – em todas essas provas é muito cotado para ir ao pódio em Lima.

Fernando Scheffer no Mundial de Gwangju — Foto: Satiro Sodré/rededoesporte.gov.br

– Desde novo ir para os Jogos Pan-Americanos sempre foi um sonho. É algo que tem muita visibilidade no Brasil, tem um prestígio enorme. E eu estou realizando um sonho de criança – disse.

Parceiro de Correia no 4x200m livre e outro dos jovens ascendentes da natação brasileira, o gaúcho Fernando Scheffer não escondeu a ansiedade para disputar o evento.

– Vai ser meu primeiro Pan. Estou muito feliz e ansioso para nadar. Acho que é uma competição muito importante, com um legado muito grande para o Brasil. É sempre bom termos a oportunidade de nadar em alto nível – comentou.

E o nível será alto, de fato. Os Estados Unidos terão sete medalhistas olímpicos em sua delegação, com destaque para o velocista multimedalhista Nathan Adrian, ouro nos 100m livre nos Jogos de Londres 2012 – os outros são Gunnar Bentz, Kevin Cordes, Cody Miller, Tom Shields, Haley Anderson e Lia Neal.

Nathan Adrian, destaque dos EUA no Pan de Lima — Foto: Jared C. Tilton/Getty Images

Confira a programação da natação no Pan

Eliminatórias às 13h e finais às 22h30 (horários de Brasília)

Terça-feira (6)
400m livre (feminino e masculino)
100m peito (f/m)
200m borboleta (f/m)
4x100m livre (f/m)

Quarta-feira (7)
200m livre (f/m)
100m borboleta (f/m)
200m costas (f/m)
4x100m livre misto

Quinta-feira (8)
100m livre (f/m)
200m peito (f/m)
100m costas (f/m)
800m livre (f/m)
4x100m medley misto

Sexta-feira (9)
50m livre (f/m)
400m medley (f/m)
4x200m livre (f/m)

Sábado (10)
1.500m livre (f/m)
200m medley (f/m)
4x100m medley (f/m)