Mulher espancada por marido durante crise de ciúmes diz que filho presenciou agressão

0
Boca - Jornal bom dia
Mulher teve ferimentos no rosto — Foto: Arquivo Pessoal

Homem foi solto e Justiça de Marília (SP) determinou medida protetiva. Segundo a vítima, criança de 3 anos pedia para que o pai parasse.

O filho de 3 anos da mulher que foi espancada pelo marido durante uma crise de ciúmes, na última na última quarta-feira (3), em Marília (SP), presenciou toda a agressão. Segundo a vítima, a criança pedia para que o pai não fizesse aquilo.

“Ele chegou na sala, viu tudo. Ele falava ‘para de bater na minha mãe!'”, conta a mulher, que não teve a identidade revelada.

De acordo com a Polícia Militar, a vítima foi agredida com tanta violência que o agressor chegou a fraturar a própria mão. Em seguida, ele fugiu do local, mas foi encontrado e preso em flagrante. No entanto, ele foi liberado em audiência de custódia na tarde desta quinta-feira (4).

Ainda de acordo com a corporação, a mulher disse que está tentando se separar do marido há meses, mas ele não aceita o fim do relacionamento.

“Eu pedia pra ele ir embora, ele falava que não ia, que era pra eu sair. Mas eu tenho dois filhos, não tenho para onde ir com as crianças”, explica.

Ela conta que a briga começou por motivos de ciúmes. A vítima, que trabalha como atendente, há algumas semanas trocava mensagens com um colega de trabalho, com quem construiu uma amizade.

Suspeito - Jornal bom dia
Suspeito (de blusa verde) foi preso depois de agredir a mulher em Marília — Foto: Polícia Civil / Divulgação

No dia da agressão, ela passou mal no trabalho e precisou ir embora mais cedo. Em entrevista ao G1, disse que chegou em casa, tomou um remédio e dormiu.

“Enquanto eu dormia, esse colega mandou uma mensagem perguntando se eu estava bem e se tinha melhorado. Meu marido chegou em casa e viu. Começou a me bater muito. Acordei apanhando”, conta.

Depois disso, segundo a atendente, o agressor a arrastou pelos cabelos até a sala, e foi quando o filho de 3 anos do casal apareceu. Assustado, pediu para que o pai parasse.

“Foi aí que eu consegui escapar. Peguei meu filho e saí correndo pelas escadas do prédio. Fui pra casa de uma amiga e contei o que aconteceu. Fomos pro hospital e, em seguida, pra delegacia”, diz.

A vítima ainda contou que por causa dos ferimentos não conseguia enxergar com um dos olhos e que sentia muita dor.

“Não me sinto segura”

A Justiça solicitou uma medida protetiva contra o agressor na quarta-feira (3), no entanto, a vítima só teve acesso ao termo nesta sexta (5). Ao G1, contou que o que menos sente é segurança neste momento.

“Não é um papel que vai impedi-lo de vir aqui e me bater de novo. Eu não me sinto segura, nem um pouco”, diz.

Além disso, de acordo com a polícia e com a própria vítima, o homem tem uma arma, que não foi encontrada. Ele continua morando no apartamento do casal. Já a mulher foi morar com parentes juntamente com os dois filhos.

“A polícia que foi até o apartamento pegar as coisas dos meus filhos. As minhas roupas, ele queimou todas. Não tenho absolutamente nada, só tenho meus filhos que, graças a Deus, não se feriram”, conta.

Outras agressões

Essa não foi a primeira vez em que a mulher foi agredida pelo marido. De acordo com ela, ele sempre foi agressivo.

“No primeiro mês que estávamos juntos, ele raspou minha cabeça durante um ataque de raiva. Queria controlar minha aparência, falava das minhas roupas. Me tratava como se eu fosse sua propriedade”, lembra.

Além deste episódio, a vítima conta que era seguida pelo homem quando saía de casa e que já apanhou outras vezes. Mas, no entanto, queria se separar e, só não o fazia, por medo das ameaças e por medo de que ele machucasse os filhos.