MPF diz que existe ‘risco concreto de eventual fuga’ de Cláudia Cruz mulher de Eduardo Cunha

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Claudia Cruz, mulher do presidente suspenso da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, durante cerimônia no congresso em novembro de 2015 (Foto: Evaristo Sá/AFP/Arquivo)

Manifestação é sobre a devolução do passaporte da ré da Lava Jato.
MPF se posicionou contra o pedido da defesa de Cláudia Cruz.

O Ministério Público Federal (MPF) disse que há risco de fuga de Cláudia Cruz, mulher do deputado federal e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do país, caso o passaporte dela seja devolvido. Cláudia Cruz é ré na Operação Lava Jato.

Por essa razão, o MPF se posicionou pela manutenção do recolhimento do passaporte de Cláudia Cruz, mesmo que ele tenha sido entregue espontaneamente pela acusada. A defesa dela havia pedido a devolução do passaporte. O MPF “se manifesta contrariamente ao pedido de restituição do passaporte formulado por Cláudia Cordeiro Cruz”. Agora, cabe à Justiça decidir sobre a devolução ou não do passaporte à ré.

O G1 tenta contato com a defesa da acusada, porém, até a última atualização desta reportagem, as ligações não tinham sido atendidas.

“Existe real possibilidade de Cláudia Cordeiro Cruz e/ou seus familiares manterem outras contas bancárias no exterior, havendo risco concreto de eventual fuga e utilização de ativos secretos ainda não bloqueados caso o passaporte seja devolvido”, diz um trecho da petição protocolada pelo MPF na tarde desta segunda-feira (15) no processo eletrônico da Justiça Federal.

Cláudia Cruz responde pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. De acordo com as investigações, ela foi favorecida, por meio de contas na Suíça, de parte de valores de uma propina de cerca de US$ 1,5 milhão recebida pelo marido.

Em nota à imprensa, o deputado Eduardo Cunha já havia afirmado anteriormente que as contas de Cláudia no exterior estavam “dentro das normas da legislação brasileira”, que foram declaradas às autoridades e que não foram abastecidas por recursos ilícitos.

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do MPF da Operação Lava Jato, chegou a dizer que “dinheiro público foi convertido em sapatos de luxo e roupas de grife”.

Segundo o MPF, Cláudia Cruz fez compras no exterior com recursos de contas na Suíça abastecidas com dinheiro de propina recebido pelo marido dela.

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