MP de Rio Preto pede interdição de clínica suspeita de cárcere privado

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Internos foram encaminhados para albergue municipal temporariamente (Foto: Reprodução / TV TEM)

Força-tarefa retirou todos os internos da clínica nesta quinta-feira (1º).
Internos foram levados para outras instituições em Rio Preto (SP).

O Ministério Público pediu a interdição de uma clínica para dependentes químicos que funcionava em uma chácara, em São José do Rio Preto (SP). Segundo informações da polícia, a denúncia diz que adultos e menores eram agredidos no local e mantidos em cárcere privado. Os pacientes foram retirados do local na noite desta quinta-feira (1º).

Os promotores chegaram até a clínica de recuperação depois de uma denúncia anônima feita por parentes de um dos internos. Segundo o Ministério Público, menores e adultos estavam sendo agredidos e mantidos em cárcere privado dentro da unidade que trata dependentes químicos.

Internos confessaram que sofriam agressões físicas (Foto: Reprodução / TV TEM)
Internos confessaram que sofriam agressões físicas (Foto: Reprodução / TV TEM)

Diversas viaturas da Polícia Militar estiveram no local e uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamada para socorrer quem estava ferido. Um carro do Conselho Tutelar deixou a clínica levando quatro menores. Dos 44 internos, 16 foram levados para o albergue municipal.

Pais que tinham filhos internados na clínica foram até o local na noite desta quinta-feira buscá-los. Na saída eles disseram que estão impressionados e chocados com o teor das denúncias. As famílias pagavam mensalidades com valores entre R$ 1 mil e R$ 1,9 mil.

Na saída da clínica um dos internos denunciou o que acontecia lá dentro. “Eu não posso dizer comigo, mas tinham algumas pessoas que resistiam a algum tratamento e eram agredidos. Eles não faziam isso na frente dos internos. Eles levavam para salinha dos fundos”, diz.

Outro interno, que não quis ser identificado, falou com a reportagem e confessou ter medo de mostrar o rosto e está bastante assustado. “Eu mesmo já vi menores apanhando, sendo espancados. Até mesmo um chutou a cabeça deles. Um dos internos, que já foi embora, apanhou duas vezes. Derrubaram ele no chão, doparam ele com remédio. Já aconteceram outras coisas que a gente não via, porque levavam os internos para o lado de cima, e a gente não via, porque a gente ficava trancado, acorrentado lá dentro”, diz o menor.
Denúncia anônima levou policiais até a clinica de recuperação (Foto: Reprodução / TV TEM)
Denúncia anônima levou policiais até a clinica de recuperação (Foto: Reprodução / TV TEM)

No final do dia um ônibus chegou ao local para buscar o restante dos internos que moram em outras cidades. “As pessoas que moram em outras cidades, nós estamos fazendo o encaminhamento. Os adultos são encaminhados para o albergue municipal e os adolescentes estão em uma entidade de recâmbio”, diz o promotor de justiça André Luís de Souza.

Segundo o promotor, além das agressões, a clínica estava sem alvarás para o funcionamento. “O local não havia alvará do Corpo de Bombeiros, alvará de licença para o funcionamento e da Vigilância Sanitária. Questionamos os responsáveis e nenhum documento foi entregue ao Ministério Público”, afirma o promotor.

Os internos e o dono da clínica foram levados para o plantão policial onde a ocorrência foi registrada. “Alguns internos vieram prestar depoimentos, pois estavam na clínica contra a sua vontade e foram internados involuntariamente”, diz o capitão Polícia Militar Márcio Garcia.

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