MP de Rio Preto decide fiscalizar partos feitos fora de hospitais

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Parto em casa cresceu em Rio Preto de um ano para cá (Foto: Reprodução/TV TEM)

De janeiro a setembro deste ano foram 1.617 partos em casa.
Número de partos fora de hospitais também cresceu no Estado

O número de grávidas que tiveram bebê em casa aumentou no Estado de São Paulo de 2015 para cá. O parto é simples, natural e costuma ser acompanhado por algum especialista. Mas o procedimento tem gerado discussões em São José do Rio Preto (SP) porque o Ministério Público decidiu fiscalizar os partos que são feitos fora da maternidade e algumas mulheres não concordam com isso.

A dona de casa Dayane Pereira de Souza sempre quis ser mãe e o sonho dela era ter o bebê da forma mais natural possível. Quando descobriu que podia ter a filha em casa não pensou duas vezes. “Comecei a pesquisar relatos de parto de mulheres que tiveram em casa em Rio Preto para saber quais profissionais faziam isso em casa”, afirma.

Assim como Dayane, muitas mulheres estão optando por ter o filho em casa. De janeiro a setembro foram registrados 26 mil partos fora das unidades de saúde, em todo o Estado de São Paulo. Nesse mesmo período de 2015, foram 536.

Em Rio Preto, de janeiro a setembro deste ano foram registrados 1.617 partos fora de hospitais e, no ano passado, foram 25. Esse aumento também se deve porque até 2015 não era obrigatório constar no registro de nascimento onde a criança tinha nascido, se no hospital, ou fora dele.

O aumento do número de partos em casa também chamou a atenção do Ministério Público de Rio Preto. Além dos riscos médicos, os promotores estão preocupados com possíveis fraudes ou adoções ilegais de bebês. “A gente quer evitar a existência da chamada adoção à brasileira, uma mãe que tem um filho, passe esse filho para outra pessoa e essa pessoa registra a criança como se fosse seu filho. Compreendo que a mãe queira um parto em casa, e isso pode, mas desde que tenha um acompanhamento legal”, afirma o promotor Carlos Romani.

Em Rio Preto, as mulheres que tiveram filhos em casa estão sendo convocadas pelo Ministério Público, para provar que realmente estavam grávidas. A Dayane teve que levar o exame de gravidez, o pré-natal e o ultrassom. “É uma medida extrema exigir a locomoção da parturiente, que acabou de passar por um parto”, afirma Dayane.

As profissionais especializadas no parto em casa discordam da posição do Ministério Público e dizem que tem formação e conhecimento necessários para fazer o trabalho.  “É uma formação voltada para atenção de gestação de parto e pós parto de baixo risco, é a parteira de antigamente, mas com formação.  Todos os equipamentos que eu levo são os mesmos de uma sala de parto, a única diferença é que nós não temos condições de realizar uma cesárea, que tem de ser no hospital, por isso a importância da gente monitorar o bebê o tempo todo, se em qualquer momento a gente identificar algum alteração essa mulher é encaminhada pro hospital”, afirma a obstetriz Arielle Matos.

O presidente regional da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo José Luís Esteves Francisco diz que os riscos são bem maiores do que na maternidade. “Se a criança estar no trajeto de parto e tiver de fazer uma cesárea, até levar a mãe para o hospital a criança pode  sofrer. Ficar muito tempo no trajeto ele pode ficar sem oxigenação e isso pode trazer prejuízo para a vida do feto”, afirma.

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