MP de Marília denuncia prefeito e mais três no caso das 7 toneladas de carne estragada na merenda

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As sete toneladas de carne estragada foram achadas na cozinha-piloto de Marília e iriam para a merenda escolar — Foto: TV TEM/Reprodução/Arquivo

Promotoria vê responsabilidade dos envolvidos no desperdício do produto e pede à Justiça ressarcimento e perda dos cargos. Denunciados dizem que ainda não foram citados.

O Ministério Público (MP) de Marília (SP) denunciou o prefeito Daniel Alonso (PSDB) e mais três pessoas por responsabilidade no caso das sete toneladas de carne estragada da merenda escolar, polêmica que se arrasta na cidade desde janeiro deste ano.

Na ação civil pública oferecida à Justiça, a promotoria pede o ressarcimento aos cofres públicos no valor de R$ 1,1 milhão, além da perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos dos denunciados.

Além do prefeito, o MP cita como responsáveis pelo desperdício das sete toneladas de carne o ex-secretário de Educação do município, Roberto Cavalari, a nutricionista Cláudia Silvana de Campos e a responsável pela cozinha-piloto, Dolores Locatelli.

Procurados pela reportagem, os denunciados afirmaram que ainda não foram notificados e que só irão se manifestar depois disso. Em nota, a prefeitura disse ainda que já se manifestou durante o processo e que instaurou sindicância que apontou os responsáveis.

Na ação, o MP diz que os denunciados agiram com intenção de aumentar a quantidade de carne e, para isso, decidiram descongelar o montante de carne para moagem e posterior congelamento, processo que causou a contaminação do produto.

Além disso, a ação diz que a câmara fria da cozinha-piloto funcionava precariamente, com temperatura aquém do adequado, com superlotação de carne e com constantes quedas de energia. Para o MP, Cavalari atuou com negligência e com o conhecimento do prefeito.

Merenda no lixo

O caso da carne estragada teve início em janeiro deste ano depois que a prefeitura anunciou ter encontrado sete toneladas do produto com cheiro estranho na cozinha-piloto da cidade, local que armazena produtos para a merenda escolar.

A investigação, que começou com a abertura de sindicância pela prefeitura e depois com a aprovação pela Câmara de Vereadores de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), durou quase sete meses.

Na ação civil pública, MP apontou problemas no sistema de refrigeração da cozinha-piloto — Foto: TV TEM/Reprodução/Arquivo
Na ação civil pública, MP apontou problemas no sistema de refrigeração da cozinha-piloto — Foto: TV TEM/Reprodução/Arquivo

Em junho, Daniel Alonso prestou depoimento à CPI e rebateu a acusação de Cavalari de que a decisão de descongelar, moer e recongelar a carne foi tomada em uma reunião com o prefeito e secretários municipais. À época, Cavalari afirmou que o problema na cozinha-piloto aconteceu uma semana depois de ele deixar a pasta.

No fim de agosto, os vereadores aprovaram relatório final da CPI indicando a existência de atos de improbidade administrativa por parte do prefeito e do então secretário de Educação.

O relatório final sugeriu que os envolvidos descumpriram o que estabelece o Regimento Técnico de Boas Práticas para os Serviços de Alimentação. De acordo com a investigação, houve irregularidades no manuseio da carne.