Moradores de cidade inundada há 45 anos após construção de usina se reencontram: ‘Infância submersa’

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Moradores da antiga Rubinéia tiram foto durante o encontro — Foto: Reprodução/TV TEM

Antiga Rubinéia foi inundada com a construção da hidrelétrica de Ilha Solteira (SP). Em 1973, quase todos os moradores já tinham deixado suas casas.

Moradores da antiga cidade de Rubinéia (SP) se reuniram às margens do Rio Paraná para relembrar as histórias e a infância no município que foi inundado na construção da usina hidrelétrica de Ilha Solteira (SP). Um reencontro cheio de emoção, relembrando a história que nasceu em uma cidade que já não existe mais.

Antigos moradores da cidade vieram de Santiago do Chile, Paranaíba (MS) e Cuiabá (MT) para o reencontro. Todos eles são de Rubinéia, mas não a de hoje, e sim a que está embaixo d’água. Abraços que demoraram 50 anos para acontecer.

“Muito emocionante eu estar aqui depois de 50 anos, ver todos com quem fui criada junto, segurei para não desmaiar”, afirma a manicure Lindaura da Cruz Prates.

Muitos não se encontravam desde que a antiga cidade de Rubinéia desapareceu. Em 1967 chegou a notícia da construção da hidrelétrica de Ilha Solteira, cidade vizinha. A obra resultaria em uma grande represa que inundaria o município.
A desapropriação das casas começou em 1969 e 10 mil pessoas viviam no local. Em 1973, quase todos os moradores já tinham deixado suas casas. Eles foram indenizados pelo governo de São Paulo, fugiram da região antes de a água chegar para apagar Rubinéia do mapa.
“Teve gente que foi embora chorando, teve gente que só saiu quando a água chegou mesmo, a maioria queria ficar”, afirma a funcionária pública Maria Ribeiro.
Reencontro acontece quase 50 anos depois da cidade ser inundada — Foto: Reprodução/TV TEM
REENCONTRO ACONTECE QUASE 50 ANOS DEPOIS DA CIDADE SER INUNDADA — FOTO: REPRODUÇÃO/TV TEM

A aposentada Conceição Berselle e o marido viram a água bater na porta de casa. Eles são considerados guardiões da antiga cidade e foram as últimas pessoas a saírem.
Eles tomavam conta do cartório, lavraram todas as escrituras e pagaram as indenizações. O casal digamos, “fechou a porta da cidade”, antes de entregá-la para o rio. “Todos os dias na hora do almoço eu ia lá medir, ver a água chegando foi uma emoção muito grande, foi emocionante”, afirma Conceição.
Hoje não é possível andar pela cidade, mas sim navegar. A nova Rubinéia foi construída a poucos quilômetros da antiga, mas não é a mesma coisa para os antigos moradores. “Tinha padarias, bares, farmácias, três grandes hotéis, era um povo divertido”, afirma o aposentado Sérgio Borges.
Para o jornalista Adriz Jacob nunca foi tão bom relembrar tantos momentos e reencontrar as pessoas. “Me emociono, muita saudade que a gente sente. Temos a nossa infância submersa, mas estamos resgatando o convívio”, diz.
Rubinéia antiga, antes de ser inundada pela represa da usina hidrelétrica de Ilha Solteira — Foto: Reprodução/TV TEM
RUBINÉIA ANTIGA, ANTES DE SER INUNDADA PELA REPRESA DA USINA HIDRELÉTRICA DE ILHA SOLTEIRA — FOTO: REPRODUÇÃO/TV TEM
Parte da cidade apareceu durante a seca nos últimos anos — Foto: Reprodução/TV TEM
PARTE DA CIDADE APARECEU DURANTE A SECA NOS ÚLTIMOS ANOS — FOTO: REPRODUÇÃO/TV TEM