Médico do trabalho é preso pela PF na Operação Hipócritas em Sorocaba

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Sede da Polícia Federal, em Sorocaba (Foto: Reprodução/TV TEM)

Especialista é suspeito de participar de um esquema de fraudes na emissão de laudos. Segundo a polícia, ele também vai responder por porte ilegal de arma.

Um médico do trabalho foi preso preventivamente em Sorocaba (SP) na manhã desta quarta-feira (29) suspeito de participar de um esquema de corrupção na emissão de laudos médicos. A prisão faz parte da terceira etapa da operação Hipócritas realizada entre Polícia Federal e Ministério Público Federal.

De acordo com a polícia, essa etapa da investigação tem como principais alvos dois médicos do trabalho que alternavam as funções de perito e de assistente técnico em perícias trabalhistas. A participação deles no esquema de corrupção foi descoberta por meio da análise de provas colhidas nas fases anteriores da operação.

Ainda conforme a polícia, o médico Joel Augusto Rufino foi preso em flagrante com dois revólveres calibre 38. Um estava com a documentação vencida e o outro está registrado em nome de outra pessoa. O médico foi levado ao CDP de Sorocaba.

Em entrevista à TV TEM, o representante do Ministério Público Federal, explicou que em uma situação comum a Justiça do Trabalho nomeia um perito para acompanhar o caso do trabalhador e a empresa nomeia um assistente técnico, que também é médico, para acompanhar o processo trabalhista.

No caso desse médico de Sorocaba, a investigação mostrou que ele recebeu propina do assistente técnico e, com isso, o perito não tinha a imparcialidade que é esperada no caso de um laudo que prove ou não um dano à saúde do trabalhador.

Segundo informações do MPF, esse médico chegava a receber de R$1.500,00 a R$ 5 mil por laudo fraudado a pedido do assistente técnico da empresa.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas casas e consultórios desse médico que foi preso e também do médico que ainda é investigado.

O médico de Sorocaba que teve a prisão preventiva decretada pela 9ª Vara Federal de Campinas integrava o esquema de corrupção e, mesmo assim, segundo a polícia, seguia atuando como perito judicial normalmente.

Ele inclusive seria encarregado de substituir peritos afastados pela Justiça Federal por envolvimento em etapas anteriores da investigação.

Ainda segundo a PF, ao invés de se afastar da atividade de perito judicial em virtude da investigação, o médico estava, indiretamente, se beneficiando da operação que “eliminou” alguns de seus “concorrentes”.

Os dois investigados responderão, de acordo com as suas participações, pelos crimes de corrupção ativa e passiva. As penas máximas são de 12 anos de prisão e multa para cada caso em que for comprovado o pagamento ou recebimento de propina.