Mãe entra na Justiça para atender ao desejo do filho de ter sobrenome do padrasto

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Mãe entra na Justiça para atender ao desejo do filho de ter sobrenome do padrasto

Um gesto de amor de um filho por um pai pode ser contado em poucas letras. No caso do pequeno Caio Gabriel dos Santos Caldas, de 9 anos, está descrito nos nomes França Gomes, parte do sobrenome do padrasto que o garoto passou a usar, por conta própria, há três anos, quando começou a assinar os trabalhinhos do colégio. O fato chamou a atenção dos professores do menino e os pais, que moram em Niterói, Região Metropolitana do Rio, procuraram a Justiça para saber da possibilidade de tornar legal o desejo do menino.

De acordo com a mãe do Caio, a coordenadora de hotelaria Esdra dos Santos França Gomes, de 38, a ideia de trocar o sobrenome do pai biológico pelo do padrasto, o arquiteto Rodolfo França Gomes dos Santos, de 38, sempre partiu do filho.

Foto: Extra / Thiago Freitas

— Eu sempre incentivei a convivência do Caio com o pai biológico, mas o que ele entende mais como relação paterna é com o Rodolfo. Eles sempre foram muito agarrados e fazem tudo juntos — conta Esdra, que tem outros dois filhos: um de 5 anos do segundo casamento e um de 18 do primeiro.

Foto: Arquivo de família

Para o padrasto, o desejo da troca de sobrenomes veio como um “verdadeiro gesto de carinho” de Caio Gabriel:

— Da primeira vez que a professora nos chamou para falar sobre isso, ele ainda era muito novinho. Achamos melhor não abordar o assunto. Mas no início deste ano, já em outro colégio, a coordenadora nos chamou e perguntou o motivo pelo qual ele estava escrevendo o nome diferente. Foi aí que decidimos buscar a Defensoria Pública para entrar com um processo para atender ao desejo dele.

Foto: Arquivo de família

O que era para ser apenas um processo de troca de nomes se transformou em um pedido de adoção. O processo está em andamento na Vara da Infância, Juventude e Idoso de Niterói. Mesmo com o desejo dos pais de atender o filho, segundo a advogada Jéssica Abizethe, especialista em direito de família, o caso é raro e muito complicado:

— A mãe e o padrasto precisariam ter um motivo muito forte para a adoção. Geralmente isso só seria possível se o pai fosse um criminoso — pondera: — Já a troca de nomes é mais fácil, caso o pai biológico esteja de acordo.

 

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