Justiça determina soltura de 10 suspeitos presos na operação vagatomia

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A Justiça determinou nesta sexta-feira (13) a soltura dos 10 suspeitos presos durante a Operação Vagatomia, que investiga uma organização criminosa suspeita de vender vagas e cometer fraudes no Fies, Prouni e Revalida para estudantes de medicina ingressarem na Universidade Brasil.

Mesmo em liberdade, os suspeitos continuam sob investigação e terão que cumprir uma série de medidas cautelares determinadas pela Justiça Federal. Entre os que foram soltos está o filho do dono da Universidade Brasil, Stephano Bruno. O pai continua preso.

De acordo com a Polícia Federal, no mesmo dia em que eles foram soltos, a médica Andréia Santos Souza Soares, de 43 anos, foi presa em um condomínio de São José do Rio Preto (SP). Ela é casada com um médico que está preso desde a deflagração da operação.

O casal é dono de empresa que oferece cursos de complementação para alunos de medicina formados no exterior que precisam de aprovação no Revalida.

Ainda de acordo com a PF, a médica já era alvo de investigações assim como o marido, mas estava em liberdade cumprindo medidas cautelares determinadas pela Justiça Federal. Contudo, ela estaria atrapalhando as investigações e descumprindo ordens.

Por isso, a PF informou que solicitou a prisão e a Justiça Federal de Jales (SP) decretou a prisão preventiva dela.

Na casa onde mora, foram apreendidos R$ 33 mil em dinheiro, um celular e documentos. Entre eles, um recibo de depósito que demonstra movimentação de valores altos em contas correntes em nome de terceiros. Dois veículos de luxo também foram apreendidos.

A médica e mais 12 suspeitos, que já estavam presos preventivamente, continuam à disposição da Justiça. Entre eles, o empresário e reitor da universidade, o engenheiro José Fernando Pinto Costa, de 63 anos.

Dono de universidade e filho foram presos durante operação da PF — Foto: Reprodução/TV TEM

Dono de universidade e filho foram presos durante operação da PF — Foto: Reprodução/TV TEM

Ambos são apontados pela polícia como chefes da organização. Segundo estimativa da PF, o grupo pode ter usado R$ 500 milhões do fundo de forma fraudulenta e as vagas eram compradas pelos estudantes por até R$ 120 mil.

Investigações da Polícia Federal apontam que os dois usavam o dinheiro desviado para comprar jatinhos, helicópteros, imóveis e até para fazer viagens internacionais, enquanto faltavam materiais básicos na Universidade Brasil como papel higiênico.

A TV TEM tentou entrar em contato com o advogado da médica presa, mas ele não quis responder os questionamentos.

O que dizem os citados

A Universidade Brasil disse que está à disposição das autoridades para colaborar, identificar e indicar os responsáveis, com o objetivo de sanar todas as questões envolvidas neste caso.

A instituição ainda enfatiza que não há elementos que comprovem o conhecimento dos fatos pelo reitor, Fernando Pinto da Costa, e o filho dele e também dono da universidade, Stefano Costa até o momento.

O MEC afirmou que em casos de indícios de irregularidades, o FNDE irá instaurar processo administrativo para a responsabilização dos envolvidos.

Caso as irregularidades sejam comprovadas, serão aplicadas as penalidades previstas na Lei nº 10.260, de 2001, que vão desde a proibição de participação no programa até o ressarcimento dos valores cobrados indevidamente.

Operação

As investigações começaram no início do ano após a PF receber informações de que estariam ocorrendo irregularidades no campus de um curso de medicina em Fernandópolis.

De acordo com a PF, o esquema contava com “assessorias educacionais”, que vendiam vagas no curso de medicina, financiamentos Fies e Prouni, além de fraudes em cursos relacionados ao Exame Revalida.

De acordo com a PF, essas assessorias tinham o apoio dos donos e toda a estrutura administrativa da universidade para negociar centenas de vagas para alunos, que aceitaram pagar pelas fraudes em troca de matrícula no curso de medicina.

Dinheiro apreendido na casa de um dos investigados na operação Vagatomia, da Polícia Federal em Jales — Foto: Polícia Federal/Divulgação

Dinheiro apreendido na casa de um dos investigados na operação Vagatomia, da Polícia Federal em Jales — Foto: Polícia Federal/Divulgação

Como resultado da investigação, a Operação Vagatomia foi deflagrada na manhã desta terça-feira (3).

Ao todo, 250 policiais federais foram às ruas para cumprir 77 mandados nas cidades de Fernandópolis, São Paulo, São José do Rio Preto (SP), Santos (SP), Presidente Prudente (SP), São Bernardo do Campo (SP), Porto Feliz (SP), Meridiano (SP), Murutinga do Sul (SP), São João das Duas Pontes (SP) e Água Boa (MT).

A Justiça Federal também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o valor de R$ 250 milhões.

A Polícia Federal informou que durante a operação alguns investigados tentaram fugir no momento das prisões e outros jogaram celulares de prédios, antes da entrada dos policiais. Os celulares foram recuperados e os foragidos foram localizados e presos. O material apreendido está sob investigação da Polícia Federal em Jales.

Relógios, dinheiro e objetos de luxo foram apreendidos dentro de cofre de investigado da Operação Vagatomia — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Relógios, dinheiro e objetos de luxo foram apreendidos dentro de cofre de investigado da Operação Vagatomia — Foto: Divulgação/Polícia Federal