Justiça condena homem por planejar assassinato de esposa para ficar com dinheiro do seguro

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A partir da esq., Otacílio Godoy, que contratou José Carlos e Zenaldo, para assassinar a própria esposa — Foto: Divulgação / Polícia Civil

Homens que executaram ação também foram condenados a 12 anos e a 9 anos e 2 meses durante julgamento em Bauru (SP). Otacílio Godoy teria os contratado para ter acesso ao seguro de vida da esposa, Cleide Godoy.

Depois de mais de 13h de julgamento, a Justiça condenou três homens pela morte de Cleide Godoy, de 53 anos, em Bauru (SP). O crime aconteceu em junho de 2017 e foi registrado como feminicídio.

De acordo com a Polícia Civil, o próprio marido de Cleide, Otacílio Godoy, contratou outros dois homens para assassinar a mulher e, com isso, ter acesso a seu seguro de vida, no valor de cerca de R$ 60 mil. Ele foi preso três dias depois da morte da vítima.

Além de Otacílio, também foram presos José Carlos Vieira Silva e Zenaldo Leite da Silva, os autores do assassinato. Eles confessaram que cometeram o crime a mando de Otacílio, que teria prometido um recompensa de R$ 8 mil.

No julgamento, realizado nesta terça-feira (9), Otacílio foi condenado a 14 anos de prisão, em regime fechado por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e por ter armado a emboscada que terminou com a morte da esposa.

O homem que atirou a vítima, Zenaldo Leite, foi condenado a 12 anos de prisão por homicídio e José Carlos Vieira, que teria sido o homem contratado por Otacílio, foi condenado a 9 anos e dois meses de prisão por participação no crime.

G1 tentou contato com a defesa dos três condenados, mas não obteve retorno.

O crime

A ação ocorreu em uma estrada de terra que liga os bairros Núcleo Gasparini e Pousada da Esperança. A vítima e o marido haviam acabado de sacar R$ 1 mil em um supermercado na Vila São Paulo, sendo que mulher já R$ 5 mil guardados na bolsa, quando dois criminosos em uma moto abordaram a dupla e anunciaram um assalto.

Segundo o depoimento do marido no dia do crime, a esposa, de 53 anos, teria reagido e, por isso, levou três tiros dos criminosos, que fugiram logo após o ocorrido.

De acordo com a filha do casal, Adriana Godoy Ligera, o casal chegou a se separar, mas havia reatado o relacionamento e inclusive realizado um segundo casamento no ano passado. Ainda segundo a filha, a mãe escrevia em um diário e chegou a citar a falta de carinho do marido e clima de desconfiança que o jeito introspectivo dele gerava na família.

Otacílio teria cometido o crime para ficar com o seguro de vida da mulher, no valor de R$ 30 mil — Foto: Reprodução / Redes sociais
Otacílio teria cometido o crime para ficar com o seguro de vida da mulher, no valor de R$ 30 mil — Foto: Reprodução / Redes sociais

Investigação

A Polícia Civil começou a esclarecer o crime após se defrontar com diversas informaçõs falsas passadas por Otacílio em seu depoimento após a morte da mulher. Imagens de circuitos de segurança e quebra de sigilo telefônico do celular usado pelo marido no dia do crime revelaram as incoerências do depoimento.

No registro das câmeras, o marido está no estacionamento do supermercado falando ao celular. Em junho de 2017, ele havia contado à polícia que estava conversando com o cobrador da dívida, mas na verdade, segundo a polícia, avisava aos criminosos contratados que em breve estaria no local combinado.

magens de câmeras de segurança mostram o casal momentos antes de fazer um saque de dinheiro — Foto: Reprodução / Circuito de segurança
magens de câmeras de segurança mostram o casal momentos antes de fazer um saque de dinheiro — Foto: Reprodução / Circuito de segurança

Como os criminosos levaram a bolsa de Cleide com R$ 6 mil em dinheiro, o caso estava sendo investigado como latrocínio. Porém, uma nova mentira chamou a atenção dos policiais. Otacílio se desfez do celular, mas disse que policiais militares à paisana o teriam confiscado para perícia.

Como esse procedimento não é padrão, a Polícia Civil pediu à Justiça a quebra do sigilo telefônico do celular de Otacílio. O rastreamento das ligações feitas na noite do crime levou os policiais aos comparsas contratados, que confessaram a armação.