Jaqueline Coutinho fala sobre possível ‘rixa’ com José Crespo: ‘Não é relevante’

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Crespo e Jaqueline Coutinho ensaiaram conciliação quando ele retornou ao posto, em outubro de 2017 — Foto: Anderson Cerejo/TV TEM

Vice foi recomendada pelo Ministério Público a assumir a prefeitura enquanto Crespo não volta de viagem à Espanha.

Após ser recomendada pelo Ministério Público a assumir o cargo de prefeita de Sorocaba (SP) na manhã desta terça-feira (13), enquanto José Crespo (DEM) está em viagem a Espanha, a vice-prefeita Jaqueline Coutinho (PTB) falou sobre a possível “rixa” entre os dois. A relação ficou estremecida após a confusão envolvendo também a ex-assessora Tatiane Polis, condenada por uso de diploma falso para assumir o cargo na prefeitura.

Questionada pela TV TEM sobre o assunto, Jaqueline ressaltou que foi eleita na mesma chapa que Crespo para administrar a cidade.

“Se existe [rixa] ou não existe, isso, para mim, isso não é relevante. Nós somos detentores de um mandato, fomos eleitos em conjunto em uma chapa, ele prefeito e eu vice, e temos que administrar conjuntamente.”

Crespo embarcou para a Europa no dia 8 e deve retornar na segunda-feira (19). Pela Lei Orgânica do município, ele não precisaria passar o cargo para Jaqueline. Entretanto, o Ministério Público instaurou um inquérito civil para apurar abandono do cargo de prefeito.
O promotor Orlando Bastos também recomendou que a vice assumisse o posto no Executivo. Para o MP, houve improbidade administrativa tanto por parte de Crespo – que não repassou o cargo à vice – como de Jaqueline, que não se apresentou para o cumprimento do mandato.
Jaqueline falou também que, para o Legislativo e o MP, não é necessária nenhuma solenidade para que assumisse a prefeitura, visto que a ocupação do cargo seria de “maneira automática”.

“O prefeito entende que, como a lei orgânica não prevê atribuições ou funções específicas para o vice-prefeito, até por ser cargo de expectativa, não precisaria participar efetivamente do governo, o que eu discordo”, disse Jaqueline.

A Secretaria de Assuntos Jurídicos da prefeitura afirmou que discorda do entendimento do MP. “A recomendação do promotor contraria a Lei Orgânica do Município. Esta Prefeitura cumpre o que determina a lei. Além disso, recomendação não é decisão judicial. Mais: não há vacância do cargo. O prefeito despacha normalmente de onde está, inclusive o fez hoje.”
O promotor deu um prazo de 60 dias para que Crespo justifique o motivo de não ter passado o cargo à vice-prefeita. Já Jaqueline tem 30 dias para explicar porque não assumiu a prefeitura.

Polêmica no sexto andar

José Crespo chegou a ficar 43 dias afastado da Prefeitura de Sorocaba após ter o mandato cassado em agosto de 2017. Para os vereadores, houve quebra de decoro e precaricação na confusão com a vice-prefeita.
Jaqueline afimou ter sido humilhada ao levar ao prefeito a denúncia de que a então assessora Tatiane Polis teria usado um diploma falso para assumir o cargo.
Portanto, nesta terça-feira Jaqueline assumiu o cargo pela terceira vez. Ela já tinha assumido em abril de 2017, quando Crespo viajou para a Alemanha e ficou apenas quatro dias fora.
A segunda vez foi em agosto, quando Crespo teve o mandato cassado em uma sessão na Câmara dos Vereadores. Na ocasião, ela se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de chefe do Executivo de Sorocaba.
Ela se manteve como prefeita durante 43 dias, quando uma liminar determinou o retorno de Crespo ao cargo de prefeito.