Gabriela Duarte celebra carreira e elege seu melhor papel em quase 30 anos: ‘De mãe’

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Foto: Anny Ribeiro / Gshow

Sucesso como Julieta de ‘Orgulho e Paixão’, atriz recebeu o Gshow na casa de sua mãe, Regina Duarte, no Rio, e relembrou momentos da vida de artista

Na certidão de nascimento são 44 anos de vida, mas na carreira de atriz são quase 30 anos. E agora Gabriela Duarte vive um momento novo na sua longa jornada como artista – a qual experimentou o sabor muito jovem com o filme ‘O Cangaceiro Trapalhão’ (1983), antes mesmo de decidir ser atriz. O amadurecimento profissional trouxe Julieta, de Orgulho e Paixão para o seu hall de personagens inesquecíveis como Maria Eduarda, de Por Amor (1997), Justine, de Esperança (2002), Chiquinha Gonzaga, da série de mesmo nome (1999), e Jéssica, de Passione (2010).

“A Julieta me deu uma maturidade que eu já vinha buscando. Acho que o Universo converge para isto: você chama as coisas que você quer falar”, acredita ela, que tem um sentimento de gratidão pelo seu momento de vida atual:

“Eu queria só agradecer. E agradecer o fato de ter feito essa escolha lá atrás”

E para revisitar esses anos todos, Gabriela – que mora em São Paulo, mas está gravando a novela das seis no Rio de Janeiro – recebeu o Gshow na casa de sua mãe, a atriz Regina Duarte. Nesse porto seguro nos dias de trabalho aqui pela Cidade Maravilhosa, ela relembrou momentos marcantes de sua trajetória.

“Eu não fiz tantas novelas, mas eu fiz muitas personagens. Então eu chutaria umas 40. Não sei, é muita coisa! São 30 anos, né?”

São tantas mesmo! Há aquelas que marcam mais, aquelas que marcam menos, mas temos que concordar: ninguém esquece a Maria Eduarda!

“Essa foi a grande virada da minha carreira, porque foi a minha terceira novela. Eu ainda era muito inexperiente, muito crua nessa profissão”

“Ela viveu muitas coisas que eu nunca tinha vivido. Foi uma personagem que me colocou num lugar de viver casamento, perda de filho, divórcio, brigas, intrigas, coisas que eu jamais pensaria em viver com 20 anos. Eu tive que roer um osso de dinossauro”, brinca.

As experiências com o humor, como ‘Dicas de um Sedutor’ (2008) e ‘Junto e Misturado’ (2013), são daquelas que Gabriela adora recordar.

“Tenho o maior orgulho de falar dessa fase da minha vida, que foi uma fase que já aconteceu, mas eu espero que continue acontecendo sempre. É delícia total! Eu acho que todo ator tem que fazer algo que ele consiga soltar suas loucuras. Afinal de contas, o ator é isso. Vai represando experiências e, de repente, o humor é uma válvula de escape maravilhosa”, avalia.

Em Passione foi quando Gabriela se fez de tanto rir em novelas.

“A fase mais aguda de humor para mim foi a Jéssica. Ela trouxe um frescor tão grande na minha vida. Foi uma coisa tão gostosa de fazer, porque era divertido, engraçado”.

“Depois de Passione, quem apareceu na minha vida foi esse personagenzinho aí: Frederico. Foi aí que eu engravidei dele, dei uma paradinha realmente para cuidar desse molequinho, porque eu já tinha a Manu. […] Quando acabou a novela, eu estava tão alimentada profissionalmente e tão feliz com essa personagem que eu falei: ‘Agora é a hora de dar um tempo para me dedicar à coisa que eu acho que é meu melhor papel, o papel de mãe’”, lembra ela.

Sua história na profissão tem muito a ver com ter crescido diante – e ao lado – de uma grande atriz e querer seguir os mesmos passos. E apesar de ter convivido, durante a infância, com uma mãe que trabalhava bastante, hoje em dia Gabriela tem segurança para equilibrar os pratos e desempenhar muito bem a maternidade e atuação.

“Acho que a minha relação de criança com uma mãe que trabalhava tanto como atriz, na mesma profissão que eu escolhi, ela acaba sendo resumida assim: eu sou a prova viva de que deu certo. Então isso não me aflige com os meus filhos”, avalia.

“Eu sinto muito a falta dos meus filhos, percebo que eles também sentem. A gente fica tentando driblar isso das maneiras mais criativas possíveis, mas sempre com amor, com calma, com paciência, com sabedoria, sabendo que isso faz parte da vida. Trabalhar é bom, faz bem para a alma, dignifica. É isso que eu tento passar para eles”.

Sobre o futuro dos filhos, são eles que vão escolher, mas já tem uma pessoinha interessada no fazer artístico: a Manu.

“A profissão dos pais está muito próxima. Talvez seja a melhor oportunidade de conhecer as dores e as delícias daquela profissão e não entrar num negócio que já é tão complicado desavisado”.

“Acho que pessoas com uma personalidade como a minha, talvez até como a da Manu, precisem desse conforto de saber onde elas estão pisando”.