Filho fala em angústia por falta de notícia do pai desaparecido em Brumadinho

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Filho procura pelo pai, Carlos Roberto, que trabalhava em Brumadinho quando a barragem da Vale rompeu — Foto: Arquivo Pessoal

G1 Rio Preto/Araçatuba

Depois de um mês do rompimento da barragem em Brumadinho (MG), o funcionário que trabalhava para a Vale Carlos Roberto Pereira, de 61 anos, continua desaparecido entre outras 130 pessoas.

O filho dele, Reinier Faustini Pereira, de 31 anos, mora em São José do Rio Preto (SP) e conta que ainda tem esperança de que o pai seja encontrado. Em entrevista ao G1, Reinier diz que a cada mensagem ou telefonema que recebe fica na expectativa de receber notícias do pai.
“Por mais doloroso que seja, você sabe que encontrou e coloca um ponto final nisso e encerra esta tortura porque é angustiante, porque é doloroso”, afirma ao G1.

Carlos trabalha há menos de um ano em uma empresa terceirizada que presta serviço para a mineradora Vale. Ele é responsável pelo almoxarifado, construção que ficou embaixo da lama depois da tragédia.

A última vez que Reinier falou com o pai por telefone foi um dia antes do acidente. Segundo o filho, Carlos mora em Brumadinho há 22 anos. Reinier também viveu na cidade com a família por cinco anos. O irmão mais velho dele ainda mora lá e não estava na área atingida pela lama.
Já o sondador Lieuzo Luiz dos Santos, que sobreviveu à tragédia, se recupera da cirurgia que precisou fazer na perna. Ele estava em cima da barragem no momento do rompimento.

“Eu estou melhor. A recuperação é lenta. Sábado, dia 23, foi meu aniversário e eu comemorei com familiares aqui em casa, mas hoje faz um mês dessa tragédia e é dia de pensar nos meus amigos que continuam desaparecidos”, conta Leo, como gosta de ser chamado, ao G1.

O morador de Ilha Solteira (SP) trabalhava com colegas na instalação de instrumentos de energia elétrica quando a estrutura desabou. Ele é uma das pessoas que aparece nas imagens das câmeras de segurança da Vale que captaram o exato momento do rompimento da barragem.
Segundo o sondador, ele foi arrastado pela lama e caiu em um buraco. Depois de horas o Corpo de Bombeiros o encontrou.

A barragem do Feijão, da mineradora Vale, se rompeu há um mês. A avalanche de lama ainda deixou cerca de 80 pessoas desabrigadas. O Rio Paraopeba foi contaminado e produtores rurais da região perderam tudo.

Segundo a Defesa Civil, até esta segunda-feira (25), o número de mortos identificados da tragédia de Brumadinho subiu para 179. (veja a lista)

Um balanço divulgado na noite de domingo (24), 131 pessoas estão desaparecidas