Família desabafa após julgamento de PM que matou filho de tenente: ‘Incapaz de demonstrar arrependimento’

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Diogo Belentani foi atingido no peito e morreu antes de chegar ao pronto-socorro em Araçatuba (SP) — Foto: Reprodução/Facebook

Em carta publicada na internet, familiares de Diogo Belentani afirmaram ‘não comemoramos nem concordamos’. Soldado da PM Vinícius Coradim foi condenado a nove anos de prisão.

A família do estudante Diogo Belentani, morto aos 21 anos durante um churrasco em Araçatuba (SP), em julho de 2017, usou as redes sociais para se manifestar sobre a condenação do soldado da Polícia Militar Vinícius Coradim.

Coradim foi a júri popular e condenado a nove anos e seis meses de prisão, em regime semiaberto, por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, fraude processual, por ter alterado a cena do crime, e disparo de arma de fogo.

O júri popular durou mais de 13 horas e foi realizado na quarta-feira (7).

Respeitamos o resultado emanado do Tribunal do Júri, pois este é soberano. Entretanto, não o comemoramos nem concordamos com ele.
— Disse a família.

Em outro trecho da carta aberta, a família Belentani afirma que o crime não foi um acidente “como a defesa pregou veemente em seus debates, com cenas teatrais e distorção da realidade, mas sim um assassinato a sangue frio, cometido por um indivíduo incapaz de demonstrar qualquer arrependimento por seu ato”.

Quatro dos sete jurados entenderam que o PM não teve a intenção de matar Diogo, filho do comandante interino do Policiamento do Interior 10 (CPI-10), o tenente-coronel Armando Belentani Filho.

A Justiça entendeu que o disparo foi acidental e o suspeito foi condenado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Família do estudante morto com tiro no peito publica nota nas redes sociais após condenação do acusado — Foto: Reprodução/Facebook
Família do estudante morto com tiro no peito publica nota nas redes sociais após condenação do acusado — Foto: Reprodução/Facebook

A princípio, Coradim era acusado de homicídio doloso qualificado, quando há intenção de matar. A polícia havia descoberto que as testemunhas mentiram nos primeiros depoimentos e que o PM segurava a arma no momento do disparo, e não a vítima como tinha dito.

Segundo a promotoria, Vinícius Coradim admitiu ter alterado a cena do crime, que teria ocorrido após uma discussão entre os rapazes por causa de ciúmes de uma mulher. As penas pelos crimes chegavam a 40 anos de prisão.

“Com a progressão de pena, em pouquíssimo tempo o réu estará novamente nas ruas, com sua personalidade agressiva e perigosa (o que inclusive elevou sua pena além do máximo no crime de homicídio culposo)”, diz a família.

O advogado de defesa de Coradim, Nilton Vivan de Souza Nunes, conseguiu provar a tese de que foi uma fatalidade, porque os dois eram amigos de infância.

Perder Diogo é uma dor imensurável. A maior perda, no entanto, será enfrentada pela sociedade, ao punir da forma mais branda possível um assassino que, para o nosso temor, muito em breve, estará nas ruas”,
— afirma a família

Protesto

No dia do júri popular, parentes e amigos do Diogo Belentani entraram na audiência vestindo camisetas com uma foto dele estampada. Mas o advogado de defesa do réu depois de consultar o juiz pediu para que não fosse permitido.

O advogado de defesa ainda chegou a discutir com um dos parentes da vítima e depois da confusão as pessoas que usavam as camisetas tiveram que sair e voltar com ela vestida pelo avesso.

Por determinação do juiz, familiares e amigos tiveram de colocar camisa do avesso durante júri popular — Foto: Reprodução/TV TEM
Por determinação do juiz, familiares e amigos tiveram de colocar camisa do avesso durante júri popular — Foto: Reprodução/TV TEM
Vinícius Coradim foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por matar amigo em Araçatuba (SP) — Foto: Reprodução/TV TEM
Vinícius Coradim foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por matar amigo em Araçatuba (SP) — Foto: Reprodução/TV TEM