Estudo mostra que obesidade dobrou entre crianças em 30 anos

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Pesquisa revela aumento do risco cardiovascular entre crianças e jovens. Estudo em escolas cariocas compara índices de 30 anos atrás e os de hoje.

O professor de música Carlos Henrique Vicente, que todo mundo chama de Mangueirinha, leva a vida no ritmo do samba. No quesito bateria, não perde o compasso, não desafina. E quando entra na avenida…

“O coração fica batendo a mil, né? Parece que vai sair de fato pela boca”, diz.

O Mangueirinha está acima do peso, com pressão alta, e não foi por falta de aviso que ficou assim.

“A primeira ficha dele é de 1989. Ele tinha 14 anos e já tinha um excesso de peso naquela época, mãe hipertensa, e nós o convidamos para ir ao hospital”, conta a médica Andréa Araujo Brandão, chefe do departamento de hipertensão da Uerj. Por um tempo, ele até seguiu o tratamento. Depois, sumiu.

“O que é muito comum, porque não sente nada. É um menino de 16 anos, 15 anos. Essa questão da doença cardiovascular é muito distante para ele, não faz parte desse universo. A gente costuma chamar de um assassino silencioso”, afirma a médica.

É silenciosa porque muita gente tem a doença e não sabe. De cada quatro brasileiros, um sofre de hipertensão. O sangue circulando em alta pressão pelos nossos vasos provoca o mesmo estrago que a água causa num cano de ferro. A ferrugem que se forma desgasta o cano e ele pode ficar obstruído ou se romper. Se essa agressão aos vasos sanguíneos começa cedo, ainda na infância, pior para o coração.

Mas vamos voltar lá no começo dessa história, na época em que o Mangueirinha ainda era um menino.

Na década de 80, o cardiologista Ayrton Pires Brandão comandou um trabalho pioneiro na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Quase 4 mil crianças e adolescentes de escolas próximas à universidade foram examinadas.

“A hipertensão, ninguém acreditava, ninguém media pressão de criança. Você ia no pediatra, não se fazia nada. Não se conhecia o assunto. E isso mostrou uma coisa assim clara, que é um processo evolutivo”, explica o médico.

É por isso que os pesquisadores estão de volta às mesmas escolas, com a mesma proposta: fazer um perfil cardiovascular dos alunos, saber quais têm risco maior de desenvolver a hipertensão na idade adulta. O chefe da equipe mudou: saiu o pai, entrou a filha.

Além do questionário com os hábitos de vida, são medidos o peso, a altura e a circunferência abdominal. Há 30 anos não se sabia que essa medida era tão importante.

“Na pesquisa de hoje nós temos aumento importante do sobrepeso e da obesidade em relação há 30 anos. Os números são praticamente o dobro de obesidade. Então, a gente acredita que o perfil de risco cardiovascular piorou em relação há 30 anos”, diz a médica Andréa Brandão.

Estudo no Rio mostra que obesidade dobrou entre crianças em 30 anos (Grep) (Foto: Globo Repórter)
Pesquisa em escolas do Rio mostra aumento da obesidade entre crianças

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