Erasmo Carlos fala sobre volta ao cinema e Jovem Guarda: ‘Sem saudosismo’

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‘Tremendão’ quebra hiato de 30 anos longe das telas e comenta sobre próximo álbum. Artista se apresenta neste sábado em Sorocaba.

Pausa nos palcos para se dedicar ao cinema? Não para Erasmo Carlos que aos 76 anos está a todo vapor e consegue conciliar vários planos além de gravar o 30º álbum da carreira.

“Tremendão”, que apresenta neste sábado (9) em um shopping de Sorocaba, às 20h, em turnê do álbum Gigante Gentil, lançado em 2014, falou sobre a ruptura de um hiato de 30 anos fora das telas e sem saudosismo sobre a Jovem Guarda: “Foi bonito, foi lindo, mas já passou.”

Erasmo volta às telas para atuar no filme “Paraíso Perdido”, da cineasta brasileira Monique Gardenberg, com data de lançamento para o fim deste ano. No longa, o artísta vive um patriarca dono de uma boate, a Paraíso Perdido, que luta pela união da família.

Cantor Erasmo Carlos (Foto: Arquivo Pessoal)
Cantor Erasmo Carlos (Foto: Arquivo Pessoal)

O retorno para as gravações emociona Erasmo, que relembra com orgulho a conquista do prêmio “Coruja de Ouro”, como ator coadjuvante em sua participação no filme “Os Machões”, em 1972, dirigido por Reginaldo Faria.

“Eu não fazia cinema desde 1980, aí fiz esse filme e fiquei muito feliz. O troféu Coruja de Ouro é o que eu mais me orgulho, porque é o único troféu que tenho que não é de música, é de ator”, relembra sorrindo.

Já sobre o longa “Minha fama de mau”, com previsão de lançamento para fevereiro de 2018, Erasmo dará vida a saudosa época da Jovem Guarda, com o Tremendão sendo interpretado por Chay Suede.

No entanto, Erasmo conta que não participou do processo de montagem do filme, apenas cedeu os direitos do livro homônimo, de 2008.

“O Lu Faria, que é o diretor , optou pela minha fase da Jovem Guarda. Eu não vi o filme, não participei e nem dei opinião em nada. Vou ver o filme junto com vocês. Mas é uma coisa estranha, ver sua vida na tela interpretada por outra pessoa, deve ser uma experiência maravilhosa, que eu vou sentir quando o filme estrear”, diz.

“Sem saudosismo”

Cantor Erasmo Carlos na época da Jovem Guarda (Foto: Arquivo Pessoal)
Cantor Erasmo Carlos na época da Jovem Guarda (Foto: Arquivo Pessoal)

Apesar do grande sucesso entre as décadas de 60 e 70 com a Jovem Guarda, Erasmo afirma não sentir falta da época, já que vive se reinventando musicalmente para se adaptar aos novos públicos e gerações.

“Me lembro com carinho, mas já passou. Não sou saudosista, de viver chorando. Eu vivo o dia de hoje. Vou me adaptando à vida”, diz.

O próximo álbum já tem quatro músicas prontas e a distribuição deve ser feita ainda este ano através das plataformas digitais.

Segundo Erasmo, parte das novas canções foram adaptadas de seu livro de poesias, que prometem agradar aos jovens que desconhecem seu trabalho.

Render-se as várias gerações que o acompanham fizeram com que essa ‘adaptação’ musical ser de muito sucesso. Em 2014 o álbum Gigante Gentil foi vencedor do Grammy Latino como ‘o melhor álbum de rock brasileiro’.

Erasmo aponta que o disco, por ser um trabalho contemporâneo, faz com que os jovens se interessem, e assim, após descobrir o novo, o “público renovado” vai em busca dos trabalhos anteriores do artista.

Com isso, a agenda de shows permanece lotada. Dos sete dias da semana ao menos cinco são dentro de quartos de hotéis ou aeroportos. Mas mesmo em casa, ele conta que não para de pensar em música, e que está sempre compondo ou pensando em coisas novas.

“Vontade de parar nunca, a minha vida é essa! Para mim, a música junto com o orgasmo é o que mais me aproxima de Deus”, completa o cantor.