Defensoria Pública investiga casos de violência obstétrica em hospitais de Rio Preto

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Defensoria Pública investiga casos de violência obstétrica em hospitais de Rio Preto

Violência é sofrida por mulheres durante o trabalho de parto. Cinco casos foram registrados na cidade.

A Defensoria Pública de São José do Rio Preto (SP) está investigando cinco casos de violência obstétrica em hospitais na cidade. Essa violência é sofrida por mulheres durante o trabalho de parto.

Uma das denúncias é da tradutora Patrícia Silva. O filho dela morreu logo após o parto no Hospital da Criança de Rio Preto há um ano. Antes de chegar ao hospital, a Patrícia tentou por 14 horas o parto natural, em casa. Mas não conseguiu suportar a dor e, na maternidade, ela diz que foi humilhada e agredida por toda a equipe médica.

“É um sentimento de terror, porque está grávida, esperando filho, você acha que está tudo bem, mas aí você chega em casa sem a criança , com quarto montado, fralda comprada, com tudo. Me empurraram na maca, gritaram comigo, me negaram remédio para dor e disseram que não iriam colocar a mão em mim enquanto não aceitasse a cesárea”, afirma a tradutora.

Além da maternidade onde a Patrícia teve o filho, outras duas maternidades de Rio Preto foram apontadas pela Defensoria Pública como locais onde há violência obstétrica.

“A violência obstétrica se caracteriza pela desumanização ao atendimento a gestante, colocando a mulher como objeto no atendimento, e em razão disso o parto é tratado como doença, utilizando discriminadamente de mecanismos para acelerar o parto, pode se caracterizar por violência”, afirma o defensor público Júlio César Tanone.

Cinco mulheres foram ouvidas pelos defensores. Elas relataram problemas nas maternidades do Hospital da Criança, da Santa Casa e do Austa. Os casos serão encaminhados para um núcleo especializado da defensoria na capital. “Por causa da complexidade do tema e a abrangência o material foi enviado para essa defensoria que vai propor soluções em âmbito administrativo e judicial”, diz o defensor.

Respostas

O Hospital da Criança e Maternidade nega os fatos relatados pela Patrícia. Segundo o hospital, os profissionais prestaram atendimento correto e humanizado à paciente. Todos os documentos necessários para esclarecer esse caso já foram apresentados ao Ministério Público e a Delegacia de Defesa da Mulher.

A Santa Casa de Rio Preto disse que o hospital também vai investigar o caso e que está colaborando com as autoridades envolvidas. Já o hospital Austa disse que o hospital não recebeu nenhuma notificação da Defensoria Pública do Estado.

Hospital da Criança e Maternidade (HCM) de Rio Preto (Foto: Reprodução/TV TEM)
Hospital da Criança e Maternidade (HCM) de Rio Preto (Foto: Reprodução/TV TEM)