Crianças voluntárias dividem experiência com idosos de casa de repouso em Jaú

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Crianças - Jornal bom dia
Crianças visitam os idosos uma vez por semana no asilo em Jaú — Foto: TV TEM / Reprodução

Pequenos se transformam em palhaços cheio de histórias para alegrar os 50 idosos atendidos no local. Projeto “Ouvidorria” reúne crianças e adolescentes.

Crianças e adolescentes que fazem parte do projeto “Ouvidorria” reservam algumas horas todos os domingos para visitar os 50 idosos que vivem no abrigo São Vicente de Paulo em Jaú (SP). A visita é um presente para esses idosos e uma satisfação para a turminha.

“Adoro, adoro, adoro criança, adoro mesmo, vejo criança e nossa, melhor do que estar com um monte de velharada. É só alegria quando elas chegam”, conta Nair Cardoso, de 72 anos.

É só eles chegarem que a alegria toma conta do lugar. O sorriso ilumina, tem muita cantoria e abraço para todo mundo. Cada uma das crianças criou um personagem e recebeu treinamento para fazer o trabalho voluntário.

“Preparamos através de algumas oficinas, são muitos temas, levarem alegria, sorriso, falamos da importância de reconhecer que um dia estarão aqui e como crianças como podem contribuir. São oficinas que variam com conversas e trabalham o personagem interno que nasceu, cada palhacinho tem uma história, caracterização, algo muito particular da essência de cada um”, explica a coordenadora do grupo, a musicoterapeuta Jaciane Milani Finato.

Voluntarios - Jornal bom dia
Voluntários se transformam em palhacinhos cheios de histórias no projeto em Jaú — Foto: TV TEM / Reprodução

Foi vendo o em que os pais faziam que a Joana decidiu participar.

“Minha mãe era palhaça e meu pai também, eu queria também. Quando você traz sorriso de uma pessoa mais velha, aquilo te deixa feliz, a gente em pessoa tem vergonha, em palhaço a gente leva alegria pra todos, trazem amor, felicidade e um carinho com a gente”, destaca Joana Pereira peroto, de 15 anos.

“Na vida das crianças a semente do bem, da solidariedade chegou até eles, eles entendem a importância do trabalho voluntário, exercício de cidadania, e aprendem que aqui tem muita história de vida, desmistificando o pensamento do asilo como fim, é lugar de história e vida”, completa Jenifer Ramos Domingos, que é psicóloga e coordenadora do projeto.

Quanta história tem no asilo. Sebastião da Silva, conhecido como seu Tião, trabalhou por muitos anos no Teatro Municipal de Jaú e já viu muitos artistas no palco, mas na visita das crianças o show é só para ele. “É só alegria essa cantoria, muda o nosso dia”, conta o aposentado de 61 anos.

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Idosos e crianças compartilham momentos de alegria durante as visitas ao asilo de Jaú — Foto: TV TEM / Reprodução

Seu Mané, como Manoel, gosta de ser chamado, vendia pipocas em frente ao cinema municipal e ele lembra até do primeiro filme exibido na cidade. E divide essa experiência com os pequenos.

“Eu e o meu irmão tínhamos um carrinho de pipoca e lembro foi exibido “Minha esposa favorita” no cinema. Eu gostava muito de ficar ali na porta do cinema e hoje estou muito feliz com essas crianças.”

Uma corrente do bem que move cada narizinho vermelho, como o da Maria Clara Alves, ou melhor a Palhacinha Pirulita, de 8 anos.

“É muito gostoso saber que a gente está fazendo o bem para o próximo. Eu sinto uma esperança boa, a gente faz o bem para o próximo e quando a gente tiver essa idade a gente sabe que também vai receber o bem.”

Cada um que chega para participar, deixa o encontro mais especial. Seu Osório fez cirurgia de catarata há pouco tempo. No começo das visitas, ele nem saía do quarto. Hoje corre pra encontrar os netos do coração.

Essa animação toda parece mágica e as visitas trazem benefícios no comportamento dos idosos no dia a dia, garante o presidente do abrigo.

“Melhorou muito o comportamento dos idosos. A mudança foi grande, no início eles ficavam com vergonha, hoje eles esperam, não veem a hora, a gente nota a diferença até no dia seguinte”, conta Francisco Donizete de Oliveira.

“Sempre tive vontade de conversar com os velhinhos, eles trazem muita alegria para gente, minha missão é tirar um sorriso deles. E eu tento levar alegria, felicidade, eles tem a vida na memória mas tão quietinhos, a gente tenta animar o domingo deles”, completa Livia Maria Fabri, a “Foguinha”.

O poder de um nariz de palhaço e de uma canção. A alegria é compartilhada, chega a transbordar. Nesses encontros a diferença de idade é o que menos importa, ninguém nem se lembra disso e odo mundo volta para infância, aquela fase em que sobra vida e amor.

“A criança é alegria da gente. Nós também fomos, hoje vemos o que fomos e estamos passando sendo adultos. Sinto alegria de escutar elas conversar, brincar, a gente brincava como elas, mas um dia parou, mas agora eu ainda sirvo pra brincar com elas”, finaliza o seu Miguel Roda.