Contra a corrupção, Governança Corporativa

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Nos últimos anos, vivemos a era Operação Lava-Jato (entre outras inúmeras operações) e uma enxurrada de denúncias de corrupção, envolvendo tanto o setor público, quanto o setor privado. Um mar de lama com condenações de 10, 20 e 30 anos para empresários famosos. Por conta disso, uma preocupação cada vez maior com ética e compliance ronda o pensamento dos empresários brasileiros. E não é para menos, o risco é iminente.

Muitas companhias já adotam testes de honestidade no recrutamento ou fazem programas para conhecer melhor a postura dos colaboradores diante de situações limite. Mas não é o suficiente. A gestão das empresas precisa estar em sintonia com as boas práticas da governança corporativa, não existe outro caminho.

Desde que a nova lei de Compliance entrou em vigor, as empresas estão mais preocupadas com o tema. Os recentes escândalos revelados no Brasil também acenderam uma luz amarela no assunto. Não adianta tentar prever quando uma pessoa vai cometer uma ilegalidade, é preciso implantar os pilares da governança e todos os órgãos do sistema de governança para garantir que a empresa siga os rumos definidos pelo Conselho Administrativo, a empresa precisa ser monitorada para avaliar os resultados e corrigir possíveis desvios.

Muitas companhias estão em momento de lucidez e adotando conselhos consultivos para ajudar na condução dos negócios, com ex-CEO, especialistas em estratégias, finanças, tecnologia e outras áreas. Se no passado, contar com um conselho administrativo ou mesmo consultivo era algo restrito às grandes empresas, hoje pequenas e médias estão vendo que isso pode fazer toda a diferença no sucesso do empreendimento. O conselho é o guardião da empresa, é ele que ajuda a companhia ter um olhar a curto, médio e longo prazos, fazer a estratégia, monitorar e incentivar a empresa a ter boas práticas de governança, ajudando a evitar a corrupção, as fraudes e revendo a rota sempre que necessário.

As empresas que querem investir em ética e compliance também têm de entender que as auditorias internas e externas são fundamentais e os órgãos de supervisão são importantes com reuniões periódicas e monitoramento constante. A empresa é um ecossistema, retórica e prática precisam estar alinhadas. Transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa são os pilares para as companhias que querem ir mais longe.

Diante de tudo isso, os riscos corporativos não precisam mais ser o temor máximo, eles podem ser controlados e administrados, mas, para isso se faz necessário uma cultura de governança, sairmos da retórica e irmos efetivamente para a prática.