Comissão Processante vai apurar conduta de vereador que se referiu a católicos como ‘bando de ratos’

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Vereador chegou a ofender católicos durante a discussão com a vereadora em Itapólis — Foto: TV TEM / Reprodução

Ricardo Negrão, da Câmara dos Vereadores de Itápolis (SP), pediu desculpas por ter se exaltado ‘no calor do momento’.

A Câmara dos Vereadores de Itápolis (SP) aprovou, na sessão de quarta-feira (24), uma Comissão Processante contra o vereador Ricardo Negrão (PTB), que ofendeu católicos durante uma discussão na sessão do dia 19 de outubro.

A CP irá averiguar se houve quebra de decoro parlamentar por parte do vereador ao classificar os católicos como “ratos”, interrompendo o discurso da vereadora Mariana Amatto (PR).

O prazo é de 90 dias, a contar da data de notificação do vereador, para analisar documentos, ouvir testemunhas e apresentar relatório final pela absolvição ou cassação do mandato.

No período de funcionamento da Comissão, o parlamentar permanece normalmente no exercício do mandato.

CP foi aprovada durante sessão na Câmara dos Vereadores nesta quarta-feira (24) — Foto: Reprodução/Google Maps
CP foi aprovada durante sessão na Câmara dos Vereadores nesta quarta-feira (24) — Foto: Reprodução/Google Maps

Por telefone ao G1, Ricardo Negrão afirmou que “cometeu um ato falho e pediu perdão”. Além disso, diz que sente que a população o perdoou.

“Os vereadores abriram essa comissão pra mostrar que não gostaram da minha atitude e que agora vão me julgar pra dar uma resposta para a população. Acredito que não querem que eu seja cassado. Já houve outros casos contra mim, mas todos foram arquivados”, comenta.

Na noite de segunda-feira (22), o vereador publicou um vídeo em sua rede social se retratando e pedindo desculpas à comunidade católica pelos dizeres. Na sessão da quarta-feira (24), Negrão subiu duas vezes à Tribuna para também se desculpar.

A confusão começou por conta de um projeto de refinanciamento apresentado pelo Executivo. O projeto concedia descontos para pessoas físicas e jurídicas que devem impostos para a prefeitura. Dessa forma, a empresa de aviação de propriedade do prefeito seria beneficiada, já que deve IPTU para o município.

Para impedir que isso acontecesse, a vereadora propôs uma emenda para excluir do Refis as empresas que já estão em fase de execução fiscal, como é o caso da empresa do prefeito. O vereador Ricardo Negrão votou a favor, mas, ao usar a tribuna, disse que o projeto teria sido apresentado para atingir o prefeito e a empresa dele.

Vereadora usava a tribuna e criticou a fala do outro parlamentar sobre projeto já aprovado na Câmara de Itápolis — Foto: TV TEM / Reprodução
Vereadora usava a tribuna e criticou a fala do outro parlamentar sobre projeto já aprovado na Câmara de Itápolis — Foto: TV TEM / Reprodução

A vereadora então disse que o vereador estava sendo contraditório, já que votou a favor e, depois, falou mal do projeto. Nesse momento, o vereador se exaltou. Ele interrompe a vereadora e pede para ela não dirigir a palavra a ele:

“Vereadora não dirija a palavra a mim porque eu não me dirigi à senhora. A senhora fale lá na sua igreja para os seus católicos, aquele bando de ratos, e dirija a palavra a eles. A senhora não tem moral para falar comigo. A senhora cale a boca”, diz o parlamentar.

Após a repercussão do vídeo, o vereador Ricardo Negrão disse que não tem nenhum problema com os católicos, visto que também é católico. Ele alegou que teve um desentendimento com o grupo da igreja dessa vereadora e que estava se referindo a esse grupo, e não aos católicos em geral. O vereador pediu desculpas por ter usado um termo inadequado, mas disse que acabou se “exaltando no calor do momento”.

Após o caso, a Câmara dos Vereadores foram tomadas por munícipes. Dentre eles, apoiadores de Nedrão e também católicos.

Discussão

Em um vídeo que circulou pela internet, a vereadora usava a tribuna para falar de um projeto de emenda e citou Ricardo Negrão, discordando do que ele havia falado logo antes na tribuna.

Foi quando o vereador se descontrolou, disse para a vereadora não dirigir a palavra a ele e chegou a ofender fiéis da Igreja Católica.