Cenas de um comercial

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Tenho muita saudade do tempo em que trabalhei como VP de Marketing de uma multinacional no Rio de Janeiro, saudade da cidade e também da agencia de que me atendia a incrível VS Escala que era rápida, surpreendente e criativa o dono era o genial Lula Vieira, boa praça, sempre com ideias brilhantes e dono de histórias incríveis, que sabe-se lá porque sempre acontecem com ele.

Como esse ataque saudosista do Lula Vieira bateu forte eu quero pedir licença a ele para contar aqui uma de suas muitas histórias que ele próprio me contou.

Essa aconteceu quando ele foi convidado para fazer uma grande campanha de propaganda para lançar uma serie de fascículos chamada “O Mundo em Guerra”.

Para o filme de TV o Lula pensou em todos os detalhes, gravando diversas cenas de combates históricos e mudando apenas a nacionalidade dos soldados, os uniformes e as armas de cada época,  detalhista ao extremo o Lula exigiu da produção que os figurantes se vestissem com exatidão, o oficial alemão estava impecável, os aviadores americanos de Pearl Harbor perfeitos e os soldados japoneses pareciam ter saído dos filmes de cinema, tinha até um cavaleiro polonês, todos com penteados, botas, luvas, mochilas, cantis, armas e brasões de cada época. E foi exatamente nas hostes nazistas que aconteceu esse caso.

Um dos figurantes do exército alemão, um loiro alto de olhos azuis fardado impecavelmente  e que na vida real faz muito sucesso nas noites cariocas como bailarina Drag Queen, foi ferido de verdade na orelha durante uma cena que produziu uma quantidade enorme de sangue,  o alemão  começou a ficar histérico e quase desmaiou, ai os colegas figurantes resolveram leva-lo até o Hospital publico Miguel Couto, que ainda é uma total esculhambação.

Então imaginem a cena, três horas da manhã, em meio a bebuns, mendigos, assaltados e toda a miséria humana que a vida junta nesses locais, chega uma picape trazendo um oficial do exercito alemão cheio de sangue, carregado na maca por dois aviadores americanos, um japonês submarinista e um cavaleiro polonês.

Como não era carnaval todo mundo estranhou. Para piorar o oficial alemão com seus gritos transformava tudo em tragédia. Na hora de fazer a ficha, o mau humorado enfermeiro de plantão, perguntou ao nazista o que teria ocorrido, o ensanguentado guerreiro, assumindo seu papel, levantou-se da maca, revirou os olhinhos azuis-celestes e declarou: “Só digo meu nome e meu batalhão e desmaiou.

O tumulto chamou a atenção do policial  de plantão  do hospital e começou um tremendo bate boca entre os soldados de diferentes épocas e o pessoal do hospital, os figurantes partiram pra porrada, o japonês submarinista começou a dar  golpes de caratê, o mais exaltado era o cavaleiro polonês que dava rasteiras em todo mundo, parecendo ter recebido algum espirito beligerante.  E o pior, após voltar a si, o oficial alemão apaixonou-se pelo policial de plantão e resolveu contar a ele toda a sua história de modelo e bailarino , nesse momento ele quase levou porrada do japonês submarinista e dos aviadores americanos, que a essa altura estavam loucos para ir para casa.

No final tudo deu certo, o comercial ficou ótimo e ganhou muitos prêmios.