Câmara aprova criação de comissão para investigar confusão em PA de Sorocaba

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Câmera de segurança registrou parte da confusão dentro de PA em Sorocaba — Foto: Reprodução/TV TEM

Proposta foi aprovada por unanimidade pelos vereadores. Comissão pretende esclarecer todos os lados do caso.

A Câmara de Vereadores de Sorocaba (SP) aprovou, na manhã desta quinta-feira (8), a criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o caso do guarda municipal que disparou um tiro de arma de choque contra uma paciente na Unidade de Pronto Atendimento(UPA) do bairro Laranjeiras, em Sorocaba (SP).

A confusão aconteceu no sábado (3), enquanto a paciente fazia uma transmissão ao vivo no Facebook para denunciar a falta de médicos na UPA.

De acordo com o vereador que apresentou a proposta, Hudson Pessini (MDB) – que também foi nomeado o presidente da comissão -, é preciso esclarecer melhor o que motivou o guarda a ter esta atitude. A criação da CEI foi aprovada por unanimidade pelos vereadores.

Dessa forma, a comissão deve convocar o guarda, a mulher que foi atingida pelo disparo e demais testemunhas do caso para prestar esclarecimentos na Câmara. O vereador Péricles Regis (MDB) será o responsável por fazer o relatório final, que não tem prazo para ser entregue.

A Corregedoria Geral da Prefeitura de Sorocaba já apura o caso e tem 60 dias para apresentar um relatório. Já a Corregedoria da Guarda Civil Municipal investiga a conduta do guarda, que continua trabalhando, mas prestando serviços fora da UPA do bairro Laranjeiras.

Transmissão ao vivo

No vídeo, Célia Ramos, de 42 anos, afirma que estava esperando para ser atendida há muito tempo e, por isso, resolveu mostrar todas as salas da UPA para provar que não havia médicos nos consultórios.

Em determinado momento, um médico aparece pedindo para o guarda controlar a paciente e a chama de descontrolada. Célia passa a discutir com o profissional, que depois se afasta do campo de visão da câmera do celular.

O guarda se aproxima e pede para a mulher desligar o telefone e procurar a prefeitura para reclamar sobre a situação. A paciente se nega e os dois discutem. A transmissão é interrompida e, em seguida, Célia aparece caída no chão da unidade de saúde pedindo por socorro.

“Socorro, o cara atirou em mim, na minha hérnia. Pelo amor de Deus, olha isso”, grita no vídeo. A imagem mostra ele guardando a arma na cintura. Em seguida, a mulher se levanta com a ajuda do marido. A confusão dentro da UPA durou cerca de meia hora.

Célia foi atendida por um médico no pronto-atendimento e, depois do procedimento, todos os envolvidos foram para o plantão da zona norte, onde foi registrado um boletim de ocorrência. Todos prestaram depoimento ao delegado.

Legítima defesa

A prefeitura divulgou imagens de uma câmera de segurança da UPA que mostram parte da confusão. De acordo com a administração, quando o guarda está em uma área onde a câmera não alcança, a mulher teria tentado pegar a arma de fogo dele. Depois de um empurra-empurra, a paciente cai após ser atingida pela arma de choque.

De acordo com a secretária de Saúde, Marina Elaine Pereira, a paciente aguardava atendimento há 15 minutos, tempo que não é considerado excessivo em unidades de pronto atendimento. Ainda segundo a secretária, outras quatro pessoas aguardavam para serem atendidas pelos médicos.

Marcos Mariano, comandante da GCM, ressaltou que a conduta do guarda será investigada. “Tudo vai ser apurado agora pelo inquérito da Polícia Judiciária, da Polícia Civil, e por um procedimento administrativo instaurado pela Corregedoria da Guarda Civil Municipal.”

Mulher leva tiro de arma de choque ao filmar falta de médicos em UPA de Sorocaba — Foto: Célia Ramos/Arquivo Pessoal
Mulher leva tiro de arma de choque ao filmar falta de médicos em UPA de Sorocaba — Foto: Célia Ramos/Arquivo Pessoal

Segundo o secretário de Segurança, Jeferson Gonzaga, o guarda agiu em legítima defesa. “A informação que inclusive ele fez constar no termo de ocorrência é que a munícipe, em tese, teria tentado tirar a arma de fogo do cinturão dele.”

O advogado de Célia Ramos, atingida pelo disparo da arma de choque, entrou com uma ação contra a prefeitura pedindo indenização por danos morais. De acordo com Mauricio Vital Moreira de Souza Neto, que também é presidente da Comissão de Cidadania da OAB Sorocaba, a ação foi ajuizada na terça-feira (6) na Vara da Fazenda Pública da cidade.

O processo será julgado pelo juiz Alexandre Dartanhan. O valor solicitado é equivalente a 60 salários mínimos, totalizando R$ 57.240. Ainda segundo o advogado, as gravações e o laudo do exame de corpo de delito, que ainda não foi disponibilizado, serão anexados na ação.