Brasil x Japão: guia prático para ver e não se assustar com o time olímpic

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Zagueiro lá na frente, atacante da esquerda na direita e um volante só? Acostume-se, a seleção brasileira quer apresentar um universo diferente a partir deste sábado

Neymar treino selecao olimpica Granja (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)Neymar treino selecao olimpica Granja (Foto: Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Bem, amigos do GloboEsporte.com (com a licença de Galvão Bueno), pegue sua pipoca, sua bebida, sente-se à frente da televisão e prepare-se para viver uma experiência diferente.

A partir das 16h30, você verá na TV Globo, no SporTV ou no GloboEsporte.com (também em Tempo Real) o primeiro e último ensaio da seleção de futebol masculino do Brasil antes da Olimpíada. Contra o Japão, no Serra Dourada, em Goiânia, os jogadores terão a missão de provar que entenderam tudo que Rogério Micale pediu em 12 dias de preparação.

Por vezes, fala-se de Micale como se ele fosse um ET ou um gênio que estava escondido até outro dia. Nem uma coisa nem outra. Mas o técnico que herdou, com a demissão de Dunga, a chance de conduzir o Brasil ao inédito ouro, é diferente do que estamos acostumados a ver por aí nos centros de treinamento, estádios e programas de entrevistas sobre futebol.

Seu linguajar é próprio (clique aqui e entenda o dicionário Micale). Sua ideia de futebol aparenta ser ousada demais, mas está toda calcada numa compreensão moderna e coletiva da coisa, sem rótulos e clichês como “os laterais não podem apoiar ao mesmo tempo” ou “com um volante só o meio-campo vai ficar muito aberto”. Frases que causam arrepios em seu cérebro “pra frente”.

Portanto, é possível que você, ao assistir a Brasil x Japão, tenha reações de espanto, surpresa ou incompreensão semelhantes às que tiveram os jornalistas na Granja Comary, com as fitas no campo, desenhos geométricos, defesas que paravam de repente ou golzinhos espalhados.

Abaixo, um manual para você entender a seleção olímpica diante de seu instinto de “cornetar”:

Headers-EMOJIS-Flamengo-006 (Foto: infoesporte)

“Mas o que é isso, os zagueiros estão lá na frente???”

Sim, os zagueiros estarão lá na frente. Muitas vezes, da linha do círculo central para frente. Isso é fundamental para executar a chamada “pressão alta”, quando os atacantes apertam a defesa adversária em busca de retomar rapidamente a posse de bola. Se eles pressionarem e os zagueiros ficarem lá atrás, “com a bunda pregada na área”, como costumam dizer, abrirá um buraco no meio-campo, e ficará fácil para o time adversário sair jogando e construir um contra-ataque. Ou seja, é normal que os zagueiros joguem adiantados e isso deverá gerar riscos, como disputas de velocidade entre eles e os atacantes rivais. Prepare-se para ver muita correria.

Headers-EMOJIS-Flamengo-002 (Foto: infoesporte)

“O Neymar não joga na esquerda? O que ele está fazendo no meio?”

Rogério Micale tem aversão a um ataque estático. Ele repete sempre que futebol é um organismo vivo. Sua equipe parte de um princípio tático, mas adota vários esquemas na mesma partida. Neymar passará a maior parte do tempo no lado esquerdo, seu preferido, mas não se assuste quando vê-lo recuado para atrair uma marcação mais incômoda ou trocando de setor com outro parceiro de ataque. O mesmo vai acontecer com Gabriel (que inicia na direita) e Gabriel Jesus (mais centralizado). A versatilidade do trio é uma das apostas do treinador.

emojis WhatsApp (Foto: Reprodução)

“Um volante só? Quem é que vai marcar nesse time?”

Uilson, Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio, Douglas Santos, Thiago Maia, Rafinha, Felipe Anderson, Gabriel, Neymar e Gabriel Jesus. Esses são os que vão marcar na seleção brasileira. “Todos? Até o goleiro?”. Sim! Atacar com 11 e defender com 11 é um mantra que Micale leva muito a sério. Por isso, exige que seu goleiro tenha capacidade de jogo com os pés e leitura para atuar como um defensor quando for necessário. Não é só o volante Thiago Maia que tem a obrigação de marcar. E “marcar” não significa dar o bote, dividir, dar carrinho. É ocupar o espaço que o adversário gostaria de ter, cortar as linhas de passe e atrasar suas jogadas… Os primeiros com essa obrigação são os atacantes: Neymar, Gabriel e Jesus.

Headers-EMOJIS-Flamengo-010 (Foto: infoesporte)

“Quatro atacantes? Nossa, que maravilha, todo mundo agora vai pra cima!”

Sim, é inegável que o “Plano B” de Micale consiste uma ideia para se livrar de desvantagens. Com Luan no lugar de Felipe Anderson ou Rafinha, ao lado de Neymar, Gabriel e Jesus, ele passaria a ter um 4-2-4 daqueles. Mas isso não significa que o time deixará de marcar. Em sua última entrevista, o técnico defendeu mais uma vez a quebra desse paradigma, de que um time não é capaz de atuar com quatro atacantes sem se expor demasiadamente. “Basta que todos entendam o momento de virar a chave”, ele disse. Portanto, não pense, quando o quarteto se reunir, que você está diante dos anos 70. Quanto mais atacantes houver em campo, maior é a exigência de disciplina tática para que esse esquema seja possível.

Headers-EMOJIS-Flamengo-002 (Foto: infoesporte)

“Renato Augusto? O que esse cara faz entre os acima de 23 anos?”

Há quem questione a presença do jogador e diga que o Brasil tem outros jogadores melhores para preencherem vaga tão privilegiada no grupo, a de um dos três com mais idade. Mas, negociações por liberações à parte, levem em conta todas as peculiaridades do trabalho de Micale, e considerem que Renato Augusto é um dos sujeitos mais “adaptáveis” do futebol brasileiro. Já foi atacante, meia, vinha sendo volante na Seleção de Dunga, atuou aberto, centralizado, pelos dois lados… Para o pouco tempo e o sistema ousado dessa equipe, um jogador de múltiplas funções e boa compreensão de jogo era fundamental. Tite teve em Renato Augusto seu pilar no título brasileiro de 2015. Mesmo começando no banco de reservas, já que se apresentou 10 dias depois dos demais, ele será importante na busca da medalha de ouro.

FICHA TÉCNICA

BRASIL: Uilson, Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio e Douglas Santos; Thiago Maia, Rafinha e Felipe Anderson; Gabriel, Neymar e Gabriel Jesus. Técnico: Rogério Micale

JAPÃO: Kushibiki, Kamekawa, Iwamani, Fujiharu e Endo; Shiotani, Ideguchi, Minamino e Nakajima; Asano e Kohroji. Técnico: Makoto Teguramori

Data: 30/7/2016 Horário: 16h30 Local: Serra Dourada, em Goiânia-GO Árbitro: Wilson Lamoroux (Fifa-COL) Auxiliares: Humberto Prieto e John Alexander Sánchez (COL)Transmissão: a TV Globo, o SporTV e o GloboEsport

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