AS GRANDES CORPORAÇÕES E O DESAFIO DOS NOVOS TEMPOS

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O mundo corporativo, em todos os quatro cantos do planeta, vem passando por profundas mudanças introduzidas nos processos produtivos de bens e equipamentos, assim como junto às empresas do setor de prestação de serviços.

No início do século passado havia uma predominância dos setores primário e secundário na formação do PIB mundial.

Com a evolução dos mercados e o crescimento da renda nas economias desenvolvidas e emergentes, o setor terciário foi avançando na formação do PIB, de tal sorte que em 2017, essa participação já alcançava o patamar de 75 %.

É claro que tal mudança teve como mola propulsora, o surgimento de novas tecnologias, fruto de maciço investimento dos setores público e privado em pesquisa e desenvolvimento (em 2017 era de 3,4% do PIB), tendo se destacado nessa corrida os países asiáticos que assumiram um protagonismo muito grande nessas últimas quatro décadas.

Um estudo realizado pela HowMuch.net, sobre as mudanças ocorridas nos últimos 100 anos, com as 10 maiores empresas, mostra o quanto foi intenso o reflexo causado, a partir da introdução das novas tecnologias nos setores em que essas empresas vinham atuando.

Em 1917, as 10 maiores empresas, por ativo fixo (em Bilhões de US$ de 2017), eram:

U.S. STEEL      AT&T      STANDARD OIL N.J.       BETHLEHEM STEEL         ARMOUR &Co.

$  46,4              14,1                  10,7                                     7,1                                 5,8

SWIFT & Co.    INTERNATIONAL HARVESTER   E.I. Du PONT     MIDVALE STEEL    U.S. RUBBER

5,7                               4,98                                      4,98                       4,88                     4,68

 

Nota-se que apenas uma empresa do setor de serviços (AT&T) pontuava entres as 10 maiores, naquele  distante ano de 1917. As demais atuavam na produção de aço, óleo, alimentos, borracha e equipamentos pesados.

Em 1967, portanto 50 anos depois, esse ranking era formado da seguinte maneira:

IBM            AT&T      KODAK     GENERAL MOTORS     STANDARD OIL N.J.

258,6          200,5         177                    171,2                             106,L5

 

TEXACO    SEARS ROEBUCK   GENERAL ELETRIC   POLAROID    GULF OIL

82,3                   64,6                         63,9                     58                 58

 

As empresas do setor de aço já não aparecem mais nesse seleto grupo e assume a ponta o gigante da tecnologia computacional, IBM, seguido ainda da AT&T e aparece pela primeira vez, a KODAK e a General Motors, esta última, a maior fabricante de veículos do mundo naquela época.

Porém, a avassaladora mudança ainda estava por acontecer, com o surgimento da internet e de todas as tecnologias e soluções disruptivas, introduzidas pelas inúmeras empresas conhecidas por “.com”.

Isso se verifica com o ranking de 2017, portanto 100 anos depois, quando assume a dianteira a gigante Apple, com US$ 898 bilhões de ativos, conforme mostrado abaixo:

APPLE         ALPHABET         MICROSOFT         AMAZON         FACEBOOK

$      898                  719                      644                       543                   518

 

BERKSHIRE HATHAWAY   JOHNSON & JOHNSON    EXXON MOBIL   JP MORGAN    WELLS FARGO

452                                     374                              350                     340                    266

 

Observa-se que das dez empresas, nada mais, nada menos, do que as cinco primeiras, são todas advindas do fenômeno causado pelo surgimento da internet.  Temos apenas uma empresa que atua no setor de extração (Exxon Mobil) e as outras quatro estão relacionadas a diversos negócios com predominância para a prestação de serviços, especialmente, financeiros, como é o caso do JP Morgan e do Wells Fargo.

Ou seja, as economias desenvolvidas e emergentes estão avançando celeremente para modelos de desenvolvimento, onde a predominância das empresas de alta tecnologia vem assumindo a liderança na formação do PIB desses países, com impactos de toda natureza, principalmente, sobre o mercado de trabalho e geração de renda nas diversas cadeias de produção e consumo dessas economias.

Isso significa que é imprescindível o investimento na obtenção de novos conhecimentos e soluções que estão sendo desenvolvidas no mundo, para que as empresas possam adaptar os seus modelos de negócio, de tal sorte a acompanhar as tendências nos diversos mercados de consumo e produção. Quem não fizer isso, vai perder participação no mercado e, no limite, sair dele.