Setor de Eventos ainda agoniza em meio a pandemia

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Evento Brasa que aconteceu em Rio Preto atendendo todas as normais sanitárias / Divulgação

Noroeste Paulista registra alta no desemprego sem previsão de retorno regular às atividades

Desde o começo da pandemia no Brasil, o setor de eventos paralisou imediatamente suas atividades presenciais. Em julho, uma pesquisa realizada pelo Sebrae apontou que 64% do setor não previa demissões de funcionários até outubro, realidade diferente no Noroeste Paulista.

Casas de shows, boates, buffets e todos os serviços que realizam desde uma pequena celebração até shows com 1 milhão de público, permanecem isolados para o retorno regular das datas contratadas.
Em São José do Rio Preto, interior de SP, o Buffet Dalila, um dos mais disputados pelas noivas no interior do estado, completaria 47 anos em 2020, mas com a chegada da pandemia e o distanciamento social, essa comemoração foi interrompida e as portas fechadas. Carol Grisi que representava o Buffet, em nome da avó, Sra Dalila, de sua mãe e Letícia, as três gerações que administravam o espaço de eventos, explica que sem as contratações de clientes todas as atividades foram cessadas “Estamos buscando incentivos para estimular nossos projetos pessoais, mas jamais esperávamos perder nosso Buffet desssa maneira.”

Aryane Garcia empreendedora e autônoma/Imagem-internet

Eventos corporativos e praticamente diários na cidade também foram adormecidos. A jornalista e produtora de eventos Aryane Garcia reforça o desgaste no setor “Como empreendedora e autônoma, dormi com a data de reestréia do meu programa na TV e um calendário anual cheio de eventos para empresários e médicos, e acordei num outro dia sem nenhuma renda. Todos os contratos foram congelados. A situação ficou ainda pior com o mini lockdown na cidade. Como mãe solteira e sem receber pensão antes da pandemia, me vi totalmente sobrecarregada e recorri rapidamente a ajuda do governo para não dispensar imediatamente meus colaboradores, o que depois foi inevitável. Redobrei minha carga de trabalho na nova empresa de nutricosméticos que havia lançado em fevereiro e resgatei alguns recursos para não desacelerar o planejamento da Gliti e gerar endividamento. Ainda é desafiador empreender no Brasil.”

O produtor de shows e empresário Ebert Borsato, relata que seus colaboradores perderam suas rendas em sua totalidade e muitos passaram a viver de doações “São pais e mães de família que trabalharam a vida inteira nos bastidores, seja na cozinha, nos camarins, na montagem, entregas, segurança, motoristas, entre outros, ainda está sendo muito difícil se reinventar para muitos deles.”
Para Borsato, o começo dos eventos drivein no Brasil foi uma opção para fazer o setor voltar a respirar. Em setembro, junto a sua equipe, ele realizou o “Primeiro churrasco do Brasil drivein” com show sertanejo e garçons particulares para atender os convidados que não se retiraram de seus veículos.

E no próximo dia 30, a BR8Music empresa de shows de Rio Preto, promove o primeiro evento presencial com 5 atrações de duplas sertanejas atendendo todas as normas de segurança e distanciamento entre as mesas, além do uso obrigatório de máscaras. “Por ser um evento numa proporção menor de público, ele se torna mais concorrido, as pessoas estão ansiosas pelos shows, queremos levar um pouco de alegria neste momento tão desafiador, e gerar emprego para tantas famílias que ficaram assistidas somente por auxílios do governo, precisamos retomar as atividades mesmo que seja aos poucos” reforça o empresário Adriano Menezes que emprega indiretamente centenas de profissionais do setor de eventos.
O governador do Estado João Doria, autoriza a volta dos eventos em sua totalidade apenas com a vacinação da COVID19, o que divide opiniões de quem depende das festas para seu ganha pão.