Análise: ataque do Palmeiras não funcionou sem Jesus. Hora de mudar?

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Cuca tenta manter característica de velocidade, mas acaba apostando na bola aérea contra o Atlético-MG. Sem individualidade, Palmeiras pouco produz na arena

No primeiro jogo sem Gabriel Jesus e Fernando Prass, o Palmeiras não conseguiu deixar uma boa impressão ao torcedor que lotou a arena mais uma vez na manhã deste domingo. Contra o Atlético-MG, o time comandado por Cuca voltou a apresentar erros coletivos e, em dia de pouca inspiração individual, acabou sofrendo a sua primeira derrota, por 1 a 0, como mandante no Campeonato Brasileiro.

Como o Palmeiras começou a partida contra o Atlético-MG (Foto: Reprodução)Como o Palmeiras começou a partida contra o Atlético-MG (Foto: Reprodução)

Se o tropeço em casa não tira o Verdão da liderança – agora são dois pontos de vantagem para o vice-líder Corinthians (32 pontos x 30 pontos) -, o desempenho diante do forte time mineiro faz com que os palmeirenses acendam o sinal de alerta para a sequência da competição nacional.

Com Gabriel Jesus na seleção olímpica, Cuca tentou manter a característica de velocidade do ataque palmeirense com Róger Guedes, Dudu e Erik. Quando era preciso mais posse de bola, porém, Cleiton Xavier não funcionou na armação (Moisés foi desfalque por causa de lesão muscular). Para piorar, a tradicional bola no chão do trio ofensivo foi substituída por cruzamentos de Zé Roberto da esquerda. O resultado? Os grandalhões Leonardo Silva e Erazo levaram a melhor na disputa.

No intervalo, nada de mudanças. Mas a conversa no vestiário pareceu fazer efeito ao Palmeiras, tanto que logo no primeiro minuto Erik avançou pela esquerda e obrigou Victor a fazer boa defesa. Foi apenas um lampejo.

A primeira substituição veio por necessidade. Aos 14 minutos, Thiago Santos sentiu e deu lugar a Matheus Sales. A importância do volante titular para o sistema defensivo palmeirense foi sentida dois minutos depois, no lance que mudou a partida. Fred e Robinho conseguiram desmontar a defesa do Verdão com uma boa troca de passes. Tchê Tchê não acompanhou o avanço de Leandro Donizete, que recebeu do camisa 7 do Galo e bateu na saída de Vagner para marcar. Veja:

Após o gol, Cuca mudou o estilo de jogo e promoveu as entradas de Lucas Barrios e Alecsandro nos lugares de Cleiton Xavier e Erik, respectivamente.

Como o Palmeiras terminou a partida contra o Atlético-MG (Foto: Reprodução)Como o Palmeiras terminou a partida contra o Atlético-MG (Foto: Reprodução)

Se antes Cleiton Xavier não vinha rendendo na armação, pouca coisa mudou com Dudu centralizado e depois com Alecsandro mais recuado. Sem infiltração pelo meio e pouca efetividade pelas laterais, o Verdão foi obrigado a recorrer aos cruzamentos em cobranças de faltas e escanteios. Nada produtivo.

– Quando não dá de um jeito tentamos de outro. Tínhamos em mente tocar a bola, eles vieram com três volantes. Tentamos furar o bloqueio, infelizmente não conseguimos – avaliou Dudu, no fim da partida.

O elemento surpresa que decidiu a favor do Atlético-MG faltou ao Palmeiras. Com exceção de Lucas Barrios, que procurou o jogo e buscou movimentação no setor ofensivo, todas as opções estiveram bem abaixo – Róger Guedes, Dudu, Erik e Alecsandro. Sem nenhuma individualidade de destaque, até Edu Dracena tentou mexer com o time.

Mesmo vendido no passe de Fred no lance que originou o gol do Galo, o defensor teve boa atuação ao lado de Vitor Hugo. Na ausência de um armador, até o zagueiro tentou lançamentos e fazer a função de camisa 10 em algumas jogadas, mas não teve muito sucesso.

Após o jogo, Cuca e os jogadores do Palmeiras lamentaram a ausência de Gabriel Jesus. Os números mostram a importância do atacante para o Verdão em 2016 – ele fez 19 gols em 33 partidas na temporada. Mas, convocado para a seleção olímpica, ele só voltará após o término da participação da Seleção. A disputa pela medalha de ouro está marcada para 20 de agosto.

Sem reforços do exterior (a janela fechou na última terça-feira), Cuca agora precisa encontrar maneiras de variar a formação ofensiva. Na primeira etapa da partida contra o Atlético-MG, a aposta era tentar manter a característica de velocidade da equipe, mas, na prática, a aposta foi na bola aérea. No segundo tempo, com dois centroavantes, o time sentiu a falta de um armador e passou a depender da bola parada.

Líder do Brasileirão com 32 pontos, o Palmeiras terá tempo para trabalhar e encontrar uma nova solução sem Gabriel Jesus. Tem tempo até para um jogo-treino contra a seleção do Iraque, na quarta-feira, na Academia de Futebol.

O próximo compromisso do time de Cuca está marcado para o dia 1º de agosto (segunda-feira), contra o Botafogo, no estádio Luso-Brasileiro, pela 17ª rodada da competição nacional. Vem mudança por aí?

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