ONU pede investigação sobre a morte de ex-presidente do Egito

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Mohamed Morsi, então presidente do Egito, discursa na Assembleia Geral da ONU em 2012 — Foto: Reuters/Mike Segar

Segundo a declaração, foram levantadas preocupações sobre as condições de detenção de Morsi, que estava preso desde 2013. Ele faleceu enquanto prestava depoimento em um tribunal nesta segunda-feira (17).

O Escritório de Direitos Humanos da ONU pediu, nesta terça-feira (18), que seja feita uma investigação independente sobre a morte do ex-presidente do Egito Mohamed Morsi, que faleceu nesta segunda-feira (17).

Segundo a declaração, todos os aspectos do tratamento dado a Morsi durante o tempo em que esteve preso devem ser levados em conta, diz a Reuters. Ele estava na prisão desde 2013.

“Foram levantadas preocupações sobre as condições de detenção de Morsi, incluindo o acesso a cuidados médicos adequados, assim como acesso suficiente aos seus advogados e familiares, durante seus quase 6 anos de prisão. Ele também parece ter sido mantido em confinamento solitário prolongado”, disse o porta-voz dos direitos humanos da ONU, Rupert Colville, em um comunicado.

Morsi foi enterrado nesta terça (18) em uma pequena cerimônia familiar, um dia depois de ter sofrido um ataque cardíaco enquanto falava perante um tribunal.

No comunicado, o porta-voz da ONU destacou, ainda, que “a investigação deve ser realizada por uma autoridade judicial ou outra autoridade competente que seja independente da autoridade detentora [de poder] e que tenha autoridade para conduzir investigações imediatas, imparciais e efetivas sobre as circunstâncias e causas de sua morte”.

Em 2018, um comitê de três parlamentares ingleses publicou um relatório que dizia que Morsi era mantido em solitária durante 23 horas por dia.

O ex-presidente egípcio tinha um histórico de problemas de saúde, era diabético e teve problemas no fígado e nos rins. Ele não recebia tratamento médico adequado, de acordo com os ingleses.

Falecimento

Segundo fontes da agência AFP, Mohamed Morsi depôs perante um tribunal antes de desmaiar. Ele chegou a ser levado para um hospital, onde acabou morrendo. O ex-presidente egípcio tinha 67 anos.

“Ele falou diante do juiz por 20 minutos, então, se agitou e desmaiou. Ele foi rapidamente levado para o hospital onde morreu”, disse a fonte da AFP.

Morsi foi o primeiro presidente democraticamente eleito no Egito, mas teve um curto mandato, entre 2012 e 2013, quando foi destituído pelo exército. Desde então, já preso, foi julgado em vários casos, incluindo um de espionagem em favor do Irã, Catar e grupos militantes, como o Hamas, em Gaza.

Logo após a morte dele, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan Erdogan, aliado do egípcio, prestou homenagem ao colega, chamando-o de “mártir”.