Vereador investigado na operação ‘Arquivos Deslizantes’ pede afastamento do cargo

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Vereador é investigado na operação 'Arquivos Deslizantes' (Foto: Reprodução/TV Tem)

Daniel Palmeira (PR), de Catanduva, foi denunciado pelo Ministério Público por comandar quadrilha que fraudava licitações de prefeituras e Câmaras de três estados.

O vereador de Catanduva (SP) Daniel Palmeira (PR), que está preso suspeito de fraudar licitações para venda de armários pediu afastamento do cargo durante a sessão da Câmara Municipal na noite desta terça-feira (5).

O pedido de afastamento do cargo foi feito pelos vereadores Amarildo Davoli (PSB) e Maurício Gouvea (PV).

O vereador Daniel Palmeira já está preso desde o dia 14 de setembro, com base nas investigações da operação Arquivos Deslizantes. Ele é investigado pelo Ministério Público por comandar uma quadrilha que fraudava licitações de prefeituras e Câmaras de três estados.

O requerimento dos vereadores não foi atendido porque a própria defesa do vereador Daniel Palmeira também havia feito um mesmo pedido de afastamento do cargo por mais 30 dias, o que está previsto no regimento da casa.

“Como por força de lei o pedido do vereador entra primeiro, então foi votado esse pedido feito pelo vereador Daniel. O plenário entendeu que é um direito e então concedeu mais 30 dias de afastamento”, explica o presidente da Câmara de Catanduva, Aristides Bruschi.

Com isso, o documento protocolado pelos vereadores, perde a validade. O vereador Daniel Palmeira vai continuar afastado e sem receber o salário de cerca de R$ 8 mil.

O cargo dele na Câmara segue sendo ocupado por um suplente e o novo prazo de afastamento vence no início de janeiro. A defesa de Daniel Palmeira acredita na soltura do vereador para que ele volte a exercer o cargo em 2018.

A operação

A operação foi denominada “Arquivos Deslizantes”, que investiga organização criminosa voltada à prática de fraudes em licitações nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

A operação decorre de investigação iniciada no ano de 2015 e conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de Piracicaba (SP).

Além de Catanduva, os núcleos do Gaeco da Grande São Paulo, Campinas, e Franca, bem como o Ministério Público de Minas Gerais, prestam apoio na operação.

Ao todo estão sendo cumpridos 50 mandados, sendo 28 de busca e apreensão e 22 de prisão temporária. Os mandados estão sendo cumpridos nas cidades de São Paulo e Belo Horizonte e em diversas cidades do interior de São Paulo.

Segundo as investigações, foi apurado que ao menos 15 empresas de várias regiões do Estado de São Paulo, Minas Gerais e de Pernambuco, todas com atuação no ramo de arquivos deslizantes estavam envolvidas no esquema, sendo que seus sócios possuem comprovada vinculação entre si e participavam de licitações simulando concorrência que, na verdade, não existia.

As empresas participavam das licitações após prévio ajuste entre elas para que uma do grupo vencesse, havendo registro de alternância entre elas como vencedoras. A investigação apontou também a participação de agentes públicos, que sabiam dos ajustes entre as empresas e agiam de modo a preparar editais.

Vereador de Catanduva pediu afastamento do cargo durante sessão (Foto: Reprodução/TV Tem)
Vereador de Catanduva pediu afastamento do cargo durante sessão (Foto: Reprodução/TV Tem)