PF investiga suspeita de desvio de verbas no Hospital do Câncer

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Material apreendido pela Polícia Federal (Foto: Reprodução / TV TEM)

Funcionários da unidade do hospital de Jales (SP) são investigados.
Documentos e contratos foram recolhidos pelos policiais.

A Polícia Federal está investigando a suspeita de desvio de verbas na unidade de Jales (SP) do Hospital do Câncer de Barretos. O dinheiro estaria saindo do superfaturamento de serviços e até da não realização deles e, em dois anos, o esquema teria desviado R$ 500 mil, segundo a investigação. Nesta terça-feira (20), a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão na unidade. Ninguém foi preso na operação.

Policiais federais passaram o dia recolhendo documentos no Hospital do Câncer. O presidente da fundação Pio XII, que administra o hospital, Henrique Prata, acompanhou o trabalho dos agentes. A investigação apura um esquema montado por funcionários para desviar verbas da entidade.

Em nota, o Hospital do Câncer de Barretos confirmou que o presidente da instituição acompanhou o trabalho da Polícia Federal na unidade de Jales para averiguar as denúncias. A nota diz ainda que algumas pessoas foram afastadas das funções até que os fatos sejam apurados.

A Polícia Federal informou ainda que um funcionário do alto escalão do hospital é suspeito de comandar a fraude. Segundo delegado Cristiano Pádua da Silva, esse funcionário autorizava o pagamento para empresas que prestavam serviços ao hospital, abertas por outros dois servidores da unidade. “Com apoio da direção do Hospital do Câncer em Barretos, que imediatamente autorizou que tivéssemos acesso a todos os sistemas, realmente foi confirmado que um funcionário estava abrindo empresas em seu nome, com conhecimento do diretor administrativo do hospital em Jales para poder fazer contratos de transporte onde havia desvio e não havia prestação de serviço, mas os pagamentos eram feitos”, afirma o delegado.Até o momento, a polícia identificou quatro contratos irregulares de prestação de serviços. Segundo a PF, os funcionários que participavam do esquema desviaram meio milhão de reais nos últimos dois anos. Uma das empresas foi criada para alugar veículos usados no transporte de pacientes e equipamentos entre os hospitais de Jales e Barretos (SP).

Segundo o inquérito da Polícia Federal, em um único mês, essa empresa recebeu R$ 20 mil, o equivalente a 550 quilômetros rodados por dia, mas não há provas de que esse serviço foi prestado. “Os contratos nem mesmo tinham sido encaminhados para a direção em Barretos, e era desconhecido para a direção em Barretos que estava havendo os pagamentos. Com o valor gasto com o serviço de transporte poderia ter sido adquirido vários veículos com o mesmo valor”, diz o delegado.

A polícia também apreendeu um contrato de assistência de informática, serviço prestado por um funcionário que já recebia salário para isso. Segundo o delegado, o colaborador ainda ganhava um adicional para abastecer máquinas de alimentos, na recepção do hospital. Pelo menos três pessoas devem ser indiciadas. “A gente não descarta haver mais funcionários envolvidos, mas isso vai agora de acordo com a investigação e a análise das documentações”, afirma o delegado.

A PF ressalta que o Hospital de Câncer de Barretos, unidade Jales, foi vítima do esquema e não é investigado. Os funcionários responderão inquérito policial na PF por desvios de recursos da instituição que atende gratuitamente pacientes com câncer de todo o país.

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