Menor que diz ter sido abusada é retirada de Ipiguá e levada para abrigo

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27/07/2016 20h07 – Atualizado em 27/07/2016 21h40

Menor que diz ter sido abusada é retirada de Ipiguá e levada para abrigo

Jovem era explorada sexualmente por aliciadora, segundo investigação.
Na lista tem médico, político, advogado e outras pessoas de influência.

A adolescente de 13 anos que afirma ter sido explorada sexualmente em Ipiguá (SP) foi transferida nesta quarta-feira (27) para um lugar sigiloso em São José do Rio Preto (SP). Enquanto o Ministério Público garante a segurança da garota, a polícia investiga quem são as pessoas que pagaram para fazer programas com ela. Na lista tem médico, político, advogado e outras pessoas de influência na cidade.

Uma equipe da TV TEM foi até a casa da mulher suspeita de aliciar a adolescente. A filha dela atendeu a equipe e disse que a mãe não iria falar nada. Ela entregou o cartão de um advogado e entrou na residência. O advogado não quis dar entrevista e, segundo ele, o caso está em segredo de Justiça.

A adolescente foi levada pelo Conselho Tutelar para um abrigo em Rio Preto. A jovem contou que era obrigada a fazer programas. A exploração sexual aconteceu por quatro meses. “Era de segunda a domingo fazendo isso aí (programa). Quase todos os dias. Alguns eram R$ 100, R$ 50 e R$ 200, dependia. Tinha de dar tudo na mão dela”, afirma.

Polícia e MP já abriram inquérito (Foto: Reprodução/ TV TEM)Polícia e MP já abriram inquérito
(Foto: Reprodução/ TV TEM)

De acordo com a adolescente, a aliciadora  era namorada de Abner Calixto, acusado de matar o delegado Guerino Solfa Neto em Rio Preto no mês passado. Outro envolvido no crime, Elias Nascimento, foi namorado da adolescente, segundo a menor. Quando ela decidiu parar de fazer programas, ela procurou ajuda.

O Conselho Tutelar fez a denúncia ao Ministério Público. “Aquele que mantiver relação sexual com menor de 14 anos, o Código Penal prevê pena mínima de 8 anos, crime hediondo, regime fechado. Então é um crime grave. E não tem essa de dizer que a menor quis, que já tinha feito antes. A lei diz que o estupro é presumido”, afirma o juiz da Infância e Juventude Evandro Pelarin.

A Vara da Infância e Juventude está com uma lista dos nomes dos clientes que teriam pagado pelo programa com a adolescente. Na lista tem advogado, médico, político, empresário e funcionário público. A Polícia Civil está com inquérito aberto e investiga todas as denúncias. “Já tínhamos informações na delegacia de acordo com inquérito do caso do Guerino e já estávamos investigando esse caso. Coincidentemente a menina foi ao Ministério Público e prestou declarações lá. Vamos apurar todos os fatos, sem qualquer tipo de interferência”, diz o delegado José Augusto Fernandes.

Jovem foi explorada por quatro meses (Foto: Reprodução/ TV TEM)Jovem foi explorada por quatro meses (
Foto: Reprodução/ TV TEM)

O caso
A promotoria da Infância e Juventude de Rio Preto está investigando o caso de exploração sexual à menina de 13 anos em Ipiguá. Segundo a adolescente, os encontros eram marcados pelo celular da aliciadora. A maioria dos encontros teriam acontecido em um motel às margens da BR-153, entre Onda Verde (SP) e Ipiguá.

A jovem conta que a mãe usa drogas e a expulsou de casa no começo do ano. Por isso, foi morar na casa do namorado, em Ipiguá, cidade com cerca de 5 mil habitantes. Mesmo com o fim do relacionamento, ela continuou na casa, mas foi obrigada pela mãe do rapaz a fazer programas como forma de pagamento pela moradia. “Ela disse: ‘Não vai dar para você comer nas minhas costas, bebendo, vivendo as minhas custas não’. Aí eu falei: ‘Mas eu não trabalho, o que você quer que eu faça?’ Ela pegou e falou assim: ‘Você vai se prostituir junto comigo’. Aí eu pensei: ‘vou morar na rua’, fiquei sem chão. Então, aceitei a proposta dela”, afirma.

Menor disse que teve de se prostituir para ficar na casa (Foto: Reprodução/ TV TEM)Menor disse que teve de se prostituir para ficar na casa (Foto: Reprodução/ TV TEM)

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