Menina dada como morta em creche de MG sobreviveu, diz Corpo de Bombeiros; 5 morreram

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Rosângela passou a noite no hospital com a filha de 4 anos, Maria Rita Barbosa, que estuda na creche Gente Inocente (Foto: Juliana Peixoto/G1)

Vigia jogou álcool em crianças e em si mesmo antes de atear fogo em creche; uma professora também morreu no ataque.

Uma das crianças que havia sido dada como morta no ataque a uma creche de Minas Gerais na quinta-feira (5) sobreviveu. Com isso, o número de crianças mortas foi revisado de seis para cinco. As informações foram divulgadas pelo Corpo de Bombeiros mineiro nesta sexta-feira (6).

Segundo os bombeiros, houve um erro de avaliação médica e Cecília Davina Gonçalves Dias, de 4 anos, que estava com parada cardíaca, foi reanimada após manobras.

O autor do ataque, Damião Soares dos Santos, de 50 anos, e uma professora, de 43, também morreram. A educadora teve 90% do corpo queimado. Segundo a Polícia Militar, o vigia jogou álcool nas crianças e em si mesmo e, em seguida, colocou fogo.

Feridos

Feridos em estado grave foram transferidos para Belo Horizonte (Foto: Juliana Peixoto/ Divulgação)
Feridos em estado grave foram transferidos para Belo Horizonte (Foto: Juliana Peixoto/ Divulgação)

Outras crianças e funcionários da creche ficaram feridos no ataque. Trinta e oito pessoas permanecem internadas em hospitais de Montes Claros, Janaúba e Belo Horizonte. Entre elas, estão 22 crianças.

Duas funcionárias da creche, que estão em estado grave, foram transferidas de helicóptero de Janaúba para Belo Horizonte, na manhã desta sexta-feira (6).

O Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, também recebeu na madrugada mais quatro crianças feridas. Unidade é referência no estado em tratamento de queimaduras. Ao todo, oito crianças entre 3 e 5 anos estão internadas na capital mineira. A informação é do Corpo de Bombeiros.

Rosângela passou a noite no hospital com a filha Maria Rita Barbosa, de 4 anos. Ela estava na creche no momento do ataque, mas não sofreu queimaduras.

“Quando eu cheguei lá, o fogo já estava apagado. Minha filha só me falou que viu a professora e os coleguinhas se queimando. Eu trouxe ela para o hospital porque estava tossindo muito”, disse Rosângela Souza Barbosa, de 38 anos.

Segundo o Instituto Médico-Legal da cidade, morreram no ataque:

  • Ana Clara Ferreira Silva, 4 anos
  • Luiz Davi Carlos Rodrigues, 4 anos
  • Juan Pablo Cruz dos Santos, 4 anos
  • Juan Miguel Soares Silva, 4 anos
  • Renan Nicolas Santos, 4 anos
  • Helley Abreu Batista, professora, 43 anos
Incêndio creche em MG (Foto: Reprodução/TV Globo)
Incêndio creche em MG (Foto: Reprodução/TV Globo)

Autor do ataque

De acordo com a prefeitura, Damião Soares dos Santos era funcionário efetivo desde 2008. Ele ficou de férias de julho a agosto e, ao retornar ao trabalho, no mês de setembro, alegou problema de saúde e foi afastado.

Damião foi à creche na manhã desta quinta entregar o atestado médico e cometeu o crime. O delegado Bruno Fernandes Barbosa informou que ele entrou na creche de mochila, sem tirar o capacete, fechou as portas e já ateou fogo em uma funcionária que estava na cozinha.

A perícia indica que ele fechou três salas da creche, onde havia entre 55 e 60 pessoas. Ele tirou um galão da mochila, jogou álcool nas crianças e ateou fogo. Logo as chamas se espalharam por outras salas. O homem teria ainda segurado as crianças, impedindo que elas saíssem. Uma professora tentou conter a ação de Damião e chegou a lutar com ele.

Vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos, tinha mania de perseguição e premeditou crime em creche de Janaúba (MG), diz polícia (Foto: Reprodução/Facebool)
Vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos, tinha mania de perseguição e premeditou crime em creche de Janaúba (MG), diz polícia (Foto: Reprodução/Facebool)

O vigia foi levado para o hospital com queimaduras no corpo inteiro e morreu cerca de três horas depois.

“Tenho plena convicção de que o crime foi premeditado, ele escolheu a data de dia 5 de outubro porque o pai dele morreu no dia 5 de outubro, há três anos”, disse o delegado.

Segundo Barbosa, o segurança havia dito a familiares que “essa semana iria morrer”. Parentes disseram à polícia que, desde 2014, Damião já apresentava “sinais de loucura”. “Ele alegava que a mãe dele estava envenenando a água, e que isso estava trazendo problemas”, disse o delegado.

Na casa de Damião, a polícia encontrou cartas escritas por ele, nas quais dizia ter predileção e afeto por crianças. Também foram achados galões de combustível. “Encontramos seis ou sete galões de cinco litros com álcool”, disse o delegado.