Marjorie vive a dura rotina dos médicos em ‘Sob Pressão’

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Carolina ( Marjorie Estiano )Foto: Mauricio Fidalgo / Rede Globo

Atriz conta como foi interpretar a médica Carolina na nova série da Globo

Por: Bárbara Saryne / Rio de Janeiro 
barbara.vieira@diariosp.com.br

 

Quem vê Marjorie Estiano fora dos estúdios da Globo, encontra uma moça simples, atenciosa, de riso largo, que não se preocupa com os padrões de beleza impostos pela sociedade.

 

Em “Sob Pressão”, nova série da Globo, que estreia hoje no Globo Play, a atriz vive uma médica apaixonada pelo trabalho, focada em salvar a vida de seus pacientes e que, assim como Marjorie, é atarefada e não tem tempo para se preocupar com o que acham do seu corpo e estilo.

A história, contada em doze episódios, é baseado no filme “Sob Pressão” e mostra a rotina de médicos de um hospital público do Rio de Janeiro. “A falta de recursos e de estrutura, a gente já vê nos jornais. O que a série tenta é mostrar a que pacientes e médicos estão sujeitos no dia a dia”, explica.

Embora tenha muitas semelhanças com a personagem, a começar pela fé – as duas não têm religião, mas acreditam em uma força maior – a artista garante que não teria estrutura para ser uma doutora Carolina na vida real. “Acho que eu ia sentar e chorar (risos). Eu não saberia não deixar a adrenalina interferir na precisão e nas escolhas que precisam ser feitas. Sob pressão, não sei onde estou e nem quem sou”, revela.

Felizmente, Marjorie nunca esteve entre a vida e a morte. Na série, porém, ela só atende pacientes em situação de risco e, gravar essas cenas, exigiu demais da atriz. “Eu nunca tive problemas com sangue, mas antes de começar a gravar nós fizemos um laboratório e foi bem impactante ver um corpo aberto”, conta.

O período dedicado à produção, segundo ela, foi intenso e demorado. O resultado, no entanto, mostra que tudo valeu a pena. “Tivemos a assessoria de médicos o tempo inteiro para não cometermos nenhum equívoco. Foram cenas muito difíceis por causa das técnicas”, admite ela, que entre colocar e tirar as luvas tantas vezes, passou a enxergar o lado dos médicos. “Ver aquilo no dia a dia é mais mobilizador e te afeta mais do que simplesmente ler a respeito. Ser médico, no Brasil, é ser um herói”, completa.

Além das dificuldades encontradas no centro cirúrgico, totalmente abandonado pelo governo, os médicos do seriado trabalham muitas horas e não têm tempo para descansar. Viver assim, para Marjorie, só é possível com amor. “O amor é a a matéria-prima dos médicos. É o amor que dá a eles essa força”, avalia a atriz, que na pele de Carolina, vai se envolver emocionalmente com o próprio chefe, o doutor Evandro (Júlio Andrade). “A gente se relaciona com as pessoas que a gente mais encontra, né?”, opina.

Com a certeza de que ela e a equipe fizeram um bom trabalho, Marjorie já sonha com a segunda temporada. “Eu estou muito feliz e emocionada. Vou adorar continuar a contar essa história”, diz ela, sem se importar com o glamour na hora de posar para as fotos.

Do outro lado

Quem lembra de Marjorie Estiano em “Justiça”, no ano passado, certamente vai pensar que a vida deu uma virada para a atriz. No seriado anterior, a moça interpretou uma bailarina que, após ser atropelada, perdeu os movimentos e praticou a eutanásia. Agora, na pele de uma médica que luta pela vida, Marjorie avalia a escolha de sua última personagem. “Eu acho este assunto muito polêmico, mas o direito sobre a sua vida tem de ser apenas seu. Minha personagem agiu de forma precipitada porque tinha certeza que ela não viveria daquela forma, mas acho que poderia ser só uma etapa”, diz.