Empresário fecha autoelétrica e coloca faixa sincera: ‘cansado de tomar calote’

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Faixa 'sincera' foi colocada na frente de autoelétrica de Severínia (SP) (Foto: Arquivo Pessoal)

Oficina em Severínia (SP) ficou pouco mais de um ano aberta. Foram 18 ‘calotes’ e R$ 15 mil para receber, segundo o proprietário.

Cansado de não receber pelo trabalho realizado em sua autoelétrica, um empresário de Severínia (SP) decidiu fechar o estabelecimento e contar para toda a cidade o motivo. Ele colocou uma faixa sincera na frente do prédio, no bairro Camacho II, que diz: “Fechado. Motivo? Cansado de tomar calote.”

Em entrevista ao G1 nesta quarta-feira (14), Edenilson Donizetti Neves contou que decidiu ser honesto sobre as dívidas com a intenção de sensibilizar os devedores, fazendo com que eles pagassem pelos serviços.

Edenilson colocou faixa em frente ao prédio da autoelétrica de Severínia (SP), que diz que empresa fechou por 'calote' (Foto: Emerson Tiburcio/Arquivo Pessoal)
Edenilson colocou faixa em frente ao prédio da autoelétrica de Severínia (SP), que diz que empresa fechou por ‘calote’ (Foto: Emerson Tiburcio/Arquivo Pessoal)

“Sempre fui meio de protestar e precisei ‘rasgar o verbo’ aqui na cidade. Por incrível que pareça o negócio funcionou, estou desacreditado”, afirma o empresário que conseguiu receber de nove dos 18 devedores uma semana depois que colocou a faixa.

A autoelétrica durou pouco mais de um ano desde que foi inaugurada. O empresário conta que alguns clientes se aproveitaram da bondade dele e, por isso, a empresa não foi para a frente.

“Ainda tenho R$ 15 mil para receber e quem me deve, sabe. As pessoas pediam com educação e a gente faz o serviço para ajudar, mas muita gente se aproveita da bondade”, lamenta.

 

Empresário decidiu fechar autoelétrica em Severínia (SP) devido ao grande número de devedores (Foto: Emerson Tiburcio/Arquivo Pessoal)
Empresário decidiu fechar autoelétrica em Severínia (SP) devido ao grande número de devedores (Foto: Emerson Tiburcio/Arquivo Pessoal)

Depois de colocar a faixa sincera no estabelecimento, Edenilson afirma que virou assunto na cidade. “Tem comerciante que me elogia pela atitude, mas fica triste de saber que fechei a autoelétrica porque os clientes me deviam. Também tem aqueles que falam que fui muito corajoso.”

Desistiu do negócio

Mesmo que todos os devedores paguem, Edenilson afirma que não irá abrir mais a oficina. Agora, a intenção é vender o prédio e voltar a trabalhar, no mesmo ramo, na oficina de seu ex-patrão.

“Acho melhor, vou entregar o prédio e voltar a ser funcionário”, conclui.

*Colaboração de André Modesto/TV TEM